segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Cassete Pirata #6

Tive o prazer de criar uma colectânea para o Cassete Pirata - anexo do blog O Companheiro Vasco - que foi publicada hoje. A selecção das músicas resultou num conjunto de faixas de álbuns de rock progressivo, ou que têm muitas influências deste género musical, editados em 2012. Mais que despertar do interesse para algumas das músicas, desejo que esta cassete seja um ponto de partida para a descoberta de algum destes álbuns.



Lista:
["nome da faixa" - banda; (álbum)]

1. "Index" - Steven Wilson; (Grace For Drowning);
2. "Drag Ropes" - Storm Corrosion; (Storm Corrosion);
3. "Wiped Out" - Archive; (With Us Until You're Dead);
4. "Insolence" - Shearwater; (Animal Joy);
5. "Water / Sand" - iLiKETRAiNS; (The Shallows);
6. "Even Less" - Porcupine Tree; (Octane Twisted);
7. "The Infant" - Kotebel; (Concerto for piano and electric ensemble);
8. "Judas Unrepentant" - Big Big Train; (English Electric (Part. One));
9. "Shadow Of The Hierophant" - Steve Hackett; (Genesis Revisited II).

sábado, 29 de dezembro de 2012

Detachment (2011) - 9

Um dos melhores filmes que vi este ano. Filme simples sem histrionismos artísticos e aparentemente só mais um filme. Mas não é só mais um filme. A história não é original nem propriamente imprevisível, mas subtilmente toca em muitas e importantes áreas do que é ser-se humano.

O sistema de ensino público, decadente, no pior que os EUA apresentam, é o palco desta passagem sem grande sentido de vida de algumas esquecidas personagens pelo mundo. A desesperança e indiferença é quase omnipresente, tal como, sem qualquer ironia, uma insustentada esperança também o é, e é-o indispensável às mais pequenas acções do dia-a-dia, em que os personagens, mergulhados numa profunda alienação, participam numa luta individual pelo não corromper das suas almas numa sociedade de almas corrompidas. Não estou a fazer um jogo de palavras contraditórias, estou a caracterizar a confusão e interacção de pensamentos e acontecimentos opostos que ocorrem no filme. É uma luta pessoal, de cada personagem, pela sobrevivência e consciência - com auto-conhecimento -, e a capacidade de se emanciparem a partir de estímulos literários e afectivos provenientes de uma improvável escola pública, que embora decadente, permite, quase como fruto do acaso, a evolução pessoal de um conjunto de jovens cuja autonomia como seres pensantes ficar-se-ia, pelas condições do seu meio, remetidas ao conformismo, presos para sempre nas suas cabeças, estrebuchando através de uma rebeldia contra o vácuo, mas felizmente, libertam-se...

Henry Barthes - o professor de Inglês -, magnificamente interpretado por Adrien Brody, faz da disciplina que lecciona, da Língua, uma ferramenta de emancipação e de (auto)-consciencialização para os alunos, exactamente o contrário que vivi com todos os meus "professores" de Português. Mas, estes alunos do Sr. Barthes libertam-se mesmo? Surge-me essa dúvida com a leitura de Poe no final que...

DURING the whole of a dull, dark, and soundless day in the autumn of the year, when the clouds hung oppressively low in the heavens, had been passing alone, on horseback, through a singularly dreary tract of country; and at length found myself, as the shades of the evening drew on, within view of the melancholy House of Usher. I know not how it was -- but, with the first glimpse of the building, a sense of insufferable gloom pervaded my spirit. (...) I looked upon simple landscape of the domain --upon the bleak walls -- (...) and upon a few white trunks of decayed trees --with an utter depression of soul (...). There was an iciness, a sinking, a sickening of the heart...

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Inocência? Ingenuidade? Ambas, ou outra coisa?

Quando uma pessoa atinge a idade de chamar ao PS de esquerda, já a idade da inocência se foi.

Não me parece adequado infantilizar um adulto chamando-lhe de inocente. Para mim, uma criança pode ser inocente, mas um adulto, neste contexto, não. Chamar-lhe-ia antes ingénuo, ou então uma outra coisa qualquer.

(Isto surgiu-me a propósito deste post no Companheiro Vasco, não em relação ao conteúdo do texto, mas a uma escolha de palavras de importância menor.)

Evito utilizar o termo esquerda, mas já que é tão usado, o que será ela? A fronteira entre a esquerda e a direita define-se entre aqueles que executam políticas em favor da classe trabalhadora e os que o fazem em favor do capital. Isso denota-se com elevado peso na legislação laboral, por exemplo. Dessa forma, na nossa Assembleia, à esquerda está o PCP, BE e Verdes, e à direita o PS, PSD e CDS.

Peço imensa desculpa ao leitor por estar a falar destas coisas, e prometo que volto em breve a assuntos estéreis, mas permitam-me, por favor, que tenha criado este post só para confessar o seguinte: Fascina-me a existência de uma imensa quantidade de bem-intencionados que continuam a crer o PS como situando-se à esquerda! Vejo-os, muito honestamente, como gente verdadeiramente bem-intencionada, mas penso, se no fundo, não será esta (boa)-fé uma má-fé.

La science des rêves (2006) - 8

Isto não é um blog de cinema. Nem percebo da coisa. Também não faço por parecer que percebo. O mais estranho é que pouco ou nada falei de música neste blog que é algo de que gosto bem mais e percebo bem mais. Definitivamente, isto é um blog de alienação intervalados de momentos em que compenso com a merda da realidade. Este é um filme de esquizofrénico quase como este blog. É um filme de alienação, de sonho, mas sonho alienado.

Deu-me um imenso prazer ver este filme. Foi uma valente dose de fantástico, imaginação, delírio, fuga da realidade. Quero é que o filho da puta do Primeiro Ministro se foda. Preciso disto: imaginar unicórnios a correr pelos prados com fraldas metidas para não borrar os lençóis. Ok, nem tudo é perfeito no filme, tive de aturar mais uma história de amor. Que lindo casalinho!!! Por acaso, só para me aborrecer, até gostei.

Tão distante está a realidade concreta da realidade desejada!; que assim não dá para levar a mal quem se remete à fantasia, à negação do concreto, compensando seus aparelhos neurológicos através de sonhos e delírios auto-realizantes. Neurose! Viva à neurose! Não levo a mal? Levo levo, pois se alguém me repetir que a felicidade vem é de dentro, enfio-lhe um supositório com princípio activo de Ary dos Santos com campânulas à Terry Gilliam que a fome, desemprego e os desabrigados desaparecem por magia só para lhes dar razão. Não é campânulas, mas cápsulas, o corrector autográfico disto é que se passou ao ver unicórnios em fraldas; ele nunca tinha visto fraldas. Que filme! Gostei.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Perfect Sense (2011) - 6

Como fazer de uma boa ideia para um enredo, um bom filme? É que no início de Perfect Sense (trailer) tudo parecia demasiado parvo e sem consistência. O filme resume-se a uma relação amorosa num mundo pré-apocalíptico rumando para um previsível fim. E é só! Se é que ter juntamente uma relação amorosa e o fim pudesse ser só e nada mais que apenas isso: só. Só?

Eva Green a contracenar com um gajo qualquer lá atrás
Talvez não seja um bom filme, mas vale a pena vê-lo. Ou talvez não valha e tenha, somente, sido uma noite apropriada para eu desfrutar deste filme. No fundo, por muito complexo que possa ser o Fim, como assunto que remete para o sentido da vida, o filme é e faz-se simples:

Eva Green a contracenar com uma folha castanha
a vida é um sopro... Boa noite.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Apagão

Não há luz. Felizmente que uso um portátil. O resto do pessoal não sabe o que fazer e parecem tantãs. Enquanto isso eu escrevo isto para passar o tempo. Devia ser assim que nos séculos transactos faziam. Escreviam no portátil à luz das velas. Até é engraçado!

Por que será que falha tantas vezes a electricidade neste sector de Oeiras? Um amigo há uns anos falava que na EDP se andava a poupar nas infra-estruturas de distribuição, e que em caso de falha de um sector a possibilidade de este ser compensado com ligações secundárias era inferior. Reforçava ainda que isso iria começar a acontecer cada vez mais frequentemente. Se não foi isto que ele disse, foi o que interpretei das palavras dele. Seja qual for a correcta explicação técnica, pensei imediatamente que era mais um exemplo de um serviço público em decadência. Perdemos na qualidade de um serviço para uns poucos os ganharem em lucros.

Enquanto aqui estou à espera que a luz volte para ter acesso à net e transformar isto em post, lembrei: para o ano o preço da electricidade vai subir. Que bom! Velas! Não sei também o que fazer. Será que este apagão é um contributo da câmara municipal ao aumento à natalidade? Boa ideia! Estarei tantã...

(cerca de três horas depois há luz...)

sábado, 15 de dezembro de 2012

Sobre a "Moeda Única" - Carlos Carvalhas, em 1997


"A moeda única é um projecto ao serviço de um directório de grandes potências e de consolidação do poder das grandes transnacionais, na guerra com as transnacionais e as economias americanas e asiáticas, por uma nova divisão internacional do trabalho e pela partilha dos mercados mundiais.

A moeda única é um projecto político que conduzirá a choques e a pressões a favor da construção de uma Europa federal, ao congelamento de salários, à liquidação de direitos, ao desmantelamento da segurança social e à desresponsabilização crescente das funções sociais do Estado."
Carlos Carvalhas, em 1997
Pois é, afinal tinham razão! A mim também me custou admiti-lo, mas...

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Pistas sobre a essência espiritual da caridade*

Não sou de falar de pessoas, e quem segue este blog ou o outro, sabe que isso raramente acontece. Acho mesmo que nunca o fiz. Há tempos quando uma tal Jonet disse umas "infelicidades", limitei-me a falar e a promover a reflexão para o que é a caridade. Antes, quando um tal Relvas era indignação da semana como exemplo de um trafulha, promovi então uma possível reflexão acerca da fulanização da política e da compreensão dos mecanismos que faz termos trafulhas no poder de Estado.

Agora, podia cair no erro de remeter o conteudo de um post a uma pessoa: a tal Jonet, outra vez. Mas não o farei. Limito-me a perguntar-me publicamente como é possível declarações como esta:


Para salvaguardar a minha saúde vou imaginar que à frente de inexplicável está um ponto de exclamação, e que «É inexplicável» seja somente uma forma de expressão. Mas logo de seguida a minha saúde degrada-se.

Como é possível uma pessoa estar tão aliada da realidade?! E será que custa muito compreender que os factores materiais [que têm matéria, massa] são os que definem os comportamentos, a maneira de pensar e de ser das pessoas? Onde quero chegar é: o que está primeiro? A matéria ou o espírito?
*só a ver se com títulos destes tenho mais leitores

Adenda (11/12/2012):
http://o-companheirovasco.blogspot.pt/2012/12/monica-ataca-de-novo.html

sábado, 1 de dezembro de 2012

Colectânea de artigos (Novembro de 2012)

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Crianças chegam ao hospital doentes por terem fome

Esteiros é uma obra literária neo-realista de Soeiro Pereira Gomes. Uma obra de 1941 maravilhosa de se ler, mas sem que isso nos faça perder o sentido da dura realidade da época. O livro por onde li era de 76 e passou pelas mãos de alguém que o sublinhou e comentou, penso que tenha sido uma professora, tendo em conta a natureza dos sublinhados. No início, logo na dedicatória surge o seguinte sublinhado por ela feita:
Para os filhos dos homens que nunca foram meninos escrevi este livro.
Foi para eles que Soeiro dedicou a obra.

Logo abaixo, a leitora escreveu um interessante comentário:
Ser menino é um “luxo” de classe.
Ora, isso assim era. Ser-se menino era um luxo naquela época. Felizmente que hoje uma criança poder ser menino é tomado pela maioria de nós como uma necessidade e um direito humano. Contudo, pelo rumo económico-social em que ainda nos estamos a deixar ir, questiono-me, até quando este direito (ou será privilégio?!) de uma criança ser criança continuará a ser uma realidade aqui mesmo em Portugal?


A todos que, como Soeiro Pereira Gomes, lutaram para que os seus filhos e o dos outros pudessem ser crianças, o mínimo é estarmos gratos, ao invés de os premiamos com estúpidos preconceitos, e o ideal seria juntarmos a eles na luta pelo direito das crianças serem crianças.

Post dedicado às crianças que já não podem ser crianças.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O menino João e a árvore

"Anabela"
Era uma vez uma árvore que vivia no campo e havia um menino que se chamava João e vivia lá ao pé, e ele gostava de jogar futebol com a sua bola do Benfica e houve um certo dia que a bola foi para cima da árvore e de repente houve um menino que o João não conhecia e esse menino trepou a árvore e caiu dela abaixo e esbardalhou-se todinho e tiveram de chamar uma ambulância e passado uns dias ele ficou bem e foram jogar à bola do João enquanto os pais deles falavam e por fim ficaram amigos para sempre.

("Anabela", 7 anos)

sábado, 24 de novembro de 2012

G2 Definitive Genesis

Foi um grande concerto! Muito acima das minhas expectativas.

Como alguns já poderão ter lido por aqui, sou um grande fã dos Genesis na sua fase progressiva inicial e há tempos escrevi vários posts aquando a vinda dos The Muscial Box - a banda tributo oficial dos Genesis. Agora, para assistir aos G2 Definitive Genesis não tinha grandes expectativas, e a comparação entre as duas bandas tributo seria certamente em favor da primeira, pensei: mas não! São muito diferentes, de uma forma que se complementam. Enquanto os The Musical Box (TMB) são como um museu vivo em que simulam quase tudo como os originais, os G2 põe o máximo que conseguem às músicas sem as descaracterizarem, e em boa verdade, muitas das versões superam as dos TMB. Contudo, prefiro assistir aos museu vivo dos Genesis.

O concerto de hoje à noite será dedicado ao álbum ao vivo Seconds Out, enquanto o de há pouco, que foi anunciado como sendo dedicado aos álbuns da fase Peter Gabriel, afinal, não foi apenas isso que tocaram, e pelas músicas da fase Phil Collins que ouvi há instantes, garanto-vos que o espectáculo de hoje valerá cada cêntimo. É uma actuação tremenda a todos os níveis (excepto o cénico) em cima de algumas das melhores músicas alguma vez criadas. Que grande concerto!

sábado, 17 de novembro de 2012

Tensão

"Só não arranja emprego quem não quer" - disse ela.

Ela que diga isso entre um conjunto de pessoas com idades entre os 25 e os 35 para ver se não leva um tabefe, ou uma resposta que até se borra toda. A malta anda a passar-se, é melhor terem cuidado com as barbaridades que dizem.

Isto é um aviso.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

The Grapes of Wrath - 9

Sendo um filme produzido por um grande estúdio de Hollywood surpreendeu-me a sensibilidade demonstrada em determinado pormenor em prol da classe trabalhadora. É certo que há muitos filmes que mostram as condições de vida dos trabalhadores, mesmo explicitamente, mas neste caso há um pormenor que normalmente só quem adere à luta proletária percebe: a aprendizagem; a aprendizagem requerida (e necessária) no processo de consciencialização acerca da sociedade em que se vive e na consequente luta pela transformação dessa sociedade.

Tom Joad, personagem principal, é politicamente ingénuo, mas vítima das contradições do capitalismo num momento histórico particularmente difícil e violento à vida humana - a Grande Depressão -, vive com os seus um conjunto de experiências que lhe permite ganhar rapidamente uma consciência de classe e incita-o para acção para lutar por justiça social.  

O filme tem uma narrativa cujo ritmo pode não agradar a um espectador mais impaciente, imediatista, mas é extremamente rico em conteúdo, contudo, mais que poder ver e ouvir, é preciso que o espectador saiba reparar. Durante o filme várias temáticas são explicita ou implicitamente abordadas, como por exemplo a natureza de classe das leis e das autoridades (sempre em favor do capital e da propriedade privada), a importância das greves e da união dos trabalhadores, o desenvolvimento da corrupção moral dos homens perante o medo do desemprego e ameaça do patrão, ameaça essa que também incluía o desalojamento, pois os trabalhadores e suas famílias ficavam frequentemente a habitar em casebres emprestados pelos seus patrões, e aborda assuntos como a jorna, a migração... É um filme, que além de uma lição para o personagem principal, é-o também para o espectador.

Quando mais tarde li A Mãe, de Gorki, o filme vinha-me constantemente à cabeça. Além de haver em ambas as obras uma mãe preocupada com a vida do filho, há também um paralelismo na aprendizagem que os personagens desenvolvem, obtendo progressivamente cada vez mais conhecimentos que lhes permitem transformar a sociedade, e em ambas as obras, isso acontecia sobretudo na prática, durante essa luta transformadora. Em Gorki, não me surpreenderia tal sensibilidade em reparar na existência desse processo de aprendizagem, mas num filme de Hollywood que ganha dois Óscares, é estranho. Claro, a introdução do tema da aprendizagem no filme dever-se-á muito ao livro de John Steinbeck do qual ele tem origem - livro que ainda não li.

As Vinhas da Ira é um filme em que o personagem principal é um operário em construção, chama-se Tom Joad como se poderia chamar Joe Hill, o seu nome cantado ou não, é como um espectro que ronda onde quer que haja injustiça e alguém que a combata. Como disse Tom Joad:
Andarei por aí no escuro. Estarei em toda a parte para onde quer que olhem. Onde houver uma luta para que os famintos possam comer, estarei lá. Onde quer que haja um polícia a espancar alguém, estarei lá. Estarei nos gritos das pessoas quando se zangam. Estarei nos risos das crianças quando têm fome e as chamam para jantar. E quando as pessoas comem aquilo que cultivam, e vivem nas casas que constroem. Eu estarei lá, também.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

domingo, 11 de novembro de 2012

Entre todos, votaria no puto

Esta noite estive amigos. Muita conversa, sobretudo a roçar o nonsense, contudo, quase acidentalmente, chegaram a falar em política.

"Só quem é sindicalizado pode fazer greve" - foi o mito que fiz cair por terra. Todos os trabalhadores podem fazer greve.
No entanto, ninguém percebeu que o dever deles era fazer greve. Concordam com ela, partilham muitas das motivações dos grevistas para a fazer, mas, o que mais me impressionou, foi que nem sequer tinham reparado que lhes tocava também a eles a decisão, e o dever, de optar fazer ou não greve. Isto é, não se aperceberam que são cidadãos.

Impressiona-me tamanha alienação. No entanto, um puto de 13 anos, sabendo que sou comunista, curioso, começou a fazer inúmeras perguntas. É claro que já aprendeu quase tudo aquilo que uma sociedade anti-comunista lhe diz sobre o comunismo, mas demonstrou interesse e conhecimento sobre história e política bastante considerável para o que acho expectável em alguém da idade dele. Avisei-o: vê lá se queres mesmo saber as respostas a essas perguntas que me fazes, pois arriscas-te a transformares-te num comunista - falo por experiência própria. Espero que tenha demovido o rapaz dessa ideia absurda de querer achar as respostas às perguntas, não vá ele ganhar consciência de que é um ser social e político.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Esclavagismo (1859), Segregação Racial (1950) e Eleição Presidencial de 2012

Aqui, pode ver-se a imagem em maiores dimensões.
A tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos" - Karl Marx.

Caridadezinha

Estavam na tv a falar de caridade, e desliguei logo. No dia a seguir não se falava de outra coisa, a criatura que estava a ser entrevistada disse esta coisa.

Mas este post tem somente o propósito de aqui deixar dois documentos que tornam claro a "elevação" moral que é a caridade - no sentido de esmola. Pois, infelizmente, é certo que vai haver cada vez mais degradantes momentos em que gentes de "boas famílias" mostram a sua pia filantropia.

O primeiro dos documentos é uma música de José Barata-Moura. O segundo é de António Lobo Antunes. São duas excelentes obras de arte, com a postura que um artista deve ter: ser social e politicamente interventivo.

1º - "Vamos brincar à caridadezinha" - José Barata-Moura:


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

7, Novembro, noite

O google homenageia hoje Bram Stoker. Escritor irlandês conhecido por ter escrito o Drácula, obra que perdura como sendo a quinta essência da literatura sobre vampiros - assim diz o Wikipédia sobre quintas essências.

Nunca tive curiosidade, por preconceito meu, literatura relacionada com vampiros, mas agora que o Drácula me tem feito companhia nos transportes públicos e às vezes antes de adormecer, mudei completamente a minha opinião sobre ele, e considero-o uma excelente companhia. É verdade que ele me faz às vezes ficar um bocado ansioso como se algo de mau me pudesse acontecer, ou demasiado interessado em observar as suas idiossincrasias que quase perco o barco ou o autocarro. Contudo, conhecer Drácula foi uma das melhores coisas que me aconteceu ultimamente. Tem sido um amigo. Gosto muito do Drácula.

mais tarde -  Estou a sentir-me um tanto temulento, taciturno, sorumbático, macambúzio, carrancudo não, mas definitivamente noitibó, por isso vou terminar de escrever. O Drácula está sob a minha cama me esperando.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Obama, e a importância de referir o óbvio

O puto tem 13 anos. Trazia uma uma t-shirt com a cara do Obama e perguntava-me ele, incrédulo, como podia eu ser comunista. As minhas respostas eram seguidas de um silêncio entre o grupo. Pergunta após pergunta, resposta após resposta, fiz então eu uma questão: porque trazes uma t-shirt com a cara de um criminoso de guerra por deter e julgar? A surpresa no grupo foi geral, mas o burburinho terminou rapidamente em silêncio. Ali as pessoas conheciam as malfeitorias dos EUA pelo mundo, nunca se tinham era apercebido que era apropriado o termo de criminoso de guerra.

Obama teve cerca de menos de 11 milhões de votos em relação à sua primeira eleição. O ambiente em volta da sua candidatura é bastante menos entusiasta e só pode deteriorar-se: a sua primeira eleição foi construída sob uma enorme ilusão, e hoje, não passa de um "mal menor".

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Um apelo

A Grande Depressão terminou apenas com a Segunda Grande Guerra. Uma destruição de proporções bíblicas, absolutamente inimaginável.

Ultimamente, quando penso na guerra, vejo-me a imaginar a quantidade de destruição necessária para "resolver" a crise económica em que vivemos. Há uma solução, mas que Júpiter nos livre que fale disso agora: revolução e isso... enfim!

A ligação entre uma depressão económica como a que vivemos e a guerra não é de difícil explicação. Contudo, a maioria dos leitores deste blog ou já sabem como as duas coisas estão ligadas, ou estão a borrifar-se para explicações. A estes últimos faço um apelo: rezem para que lhes caia do céu a compreensão do conceito «baixa tendencial da taxa de lucro»*. Acredito, muito desonestamente, que isto vai lá com apelos.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Linhas de Wellington (2012) - 7; Atonement (2007) - 8

A guerra nisto não muda: será sempre uma inimaginável tragédia.

Escusado pensar após um filme que se pode compreender como é uma guerra. «Pois é, é assim, a guerra!!» dizem-me baixinho no meio das Linhas de Wellington. Sorri incomodado, mas censurei-me, não quis incomodar explicando que aquilo era um eufemismo da guerra. Talentosamente o realizador soube como evitar chocar grosseiramente o espectador perante o esborrachar de um bebé contra uma parede. Napoleão não apareceu.

É um bom filme, ao contrário de todos os outros onde Soraia Chaves também faz de puta. Aqui, novamente, a prostituição foi tom eufemístico. Isto não é uma crítica negativa, é realmente um bom filme, ou por outras palavras: eu gostei.

Devo estar numa fase de filmes de guerra (ou com guerra). E de eufemismos. Hoje, foi a vez de ver o filme Atonement, de 2007, fabricado pelo Império Britânico*, onde a meio de uma bela história de amor, surge a guerra, onde se tenta mostrar, sem ferir o espectador, que a guerra é... a guerra. Hitler não apareceu.

vai constipar-se
É um excelente filme. Destacou-se, para mim, a bem elaborada e original história, a cor, e a actriz. Há um cuidado com a fotografia extraordinário, não só no sentido de bons planos, mas sobretudo como era dinâmica e expressiva a mudança das cores e luz. Quanto ao destaque que fiz à actriz, não interessa agora o caso, até porque teria de recorrer a muito boa adjectivação para não cair eu dentro de um eufemismo e afogar-me.

Não quero que pensei que estou a ser irónico quando digo que ambos os filmes tentam mostrar que a guerra é a guerra. Eles tentam, mas contudo, dentro dos limites daquilo que a maioria consegue suportar. Aborrece-me é que alguém pense que aquilo é uma boa representação de como é a guerra. Algo que penso ser inimaginável.

É também curioso expressões como "o senhor é muito humano", significando que o sujeito é um amor de gente. Que será então as violações, as torturas, as matanças, a terra queimada, senão também muito humano?

Talvez me esteja a preparar para apreciar essa humanidade, e ver um filme que me parece tentar mais honestamente retratar a guerra - será?! -, chama-se Idi i smotri (Come and See). Só pelo trailer, decidi que antes de o visionar irei comer só uma saladinha para evitar ficar muito nauseado.

Não se admirem se, quando voltar aqui a escrever, esteja com sintomas de stress pós-traumático. Agora, vou ali sonhar que me afogo no eufemismo daquela tal actriz. Boa noite! - que nenhum cogumelo a transforme a noite em dia e me acorde. (adenda das 11:30: a actriz não apareceu!)

*a autora do livro foi premiada com uma coisa com o nome Commander of the Order of British Empire!!

domingo, 4 de novembro de 2012

Masculin féminin: 15 faits précis (1966) - 6


Bonjour! Confesso que durante quase todo o filme só pensava "mas por que estou eu ainda a ver esta merda?!", mas vi-o até ao fim. Sem me despertar grande emoção lá fui aturando o pedante idealismo político do personagem masculino, e a frivolidade egocêntrica da personagem feminina. O filme não parecia deixar-me grandes marcas, contudo, pensando na possibilidade de escrever aqui um post, pus-me a pensar, e, enquanto preparava algo para comer, olhava com olhar estúpido para um barulho cuja causa não conseguia detectar, ou na casa-de-banho a apreciar a vida, dei por mim a concluir que, afinal, o filme era interessante! Ele apresenta por intermédio de quotidianas acções do dia-a-dia um conjunto largo de temas importantes da vida: é uma obra de filosofia. E é-o de forma mais profunda do que me apercebi durante o seu visionamento, e, em boa verdade, só depois, quando estava sentado na cerâmica da salle de bain é que soltei a criatividade e cheguei às mais interessantes interpretações do filme.

Muito gostaria aqui de expor acerca do idealismo político do Paul, e da frivolidade da Madeleine. Mas, ficar-me-ei por revelar que senti (o que não significa que o seja realmente) que o filme é datado, e que vivemos tempos diferentes. Ao meu pensamento estava constantemente a ideia de que aquela geração vivia uma fase de emancipação, enquanto hoje vivemos numa fase de cada vez maior opressão, rumando até ao fascismo.

Li entretanto esta excelente análise à obra, e recomendo-a.
O filme por ser visto na integra e legendado, aqui.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

O que leva à falta de habitação ou a habitações insalubres?

Parte da capa do DN do dia 25/10/2012
(...) não pode existir sem falta de habitação uma sociedade em que a grande massa trabalhadora depende exclusivamente de um salário, ou seja, da soma de meios de vida necessária à sua existência e reprodução; na qual novos melhoramentos da maquinaria, etc, deixam continuamente sem trabalho massas de operários; na qual violentas oscilações industriais, que regularmente retornam, condicionam, por um lado, a existência de um numeroso exército de reserva de operários desocupados e, por outro lado, empurram temporariamente para a rua, sem trabalho, a grande massa dos operários; (...). Numa sociedade assim, a falta de habitação não é nenhum acaso, é uma instituição necessária e, juntamente com as suas repercussões sobre a saúde, etc, só poderá ser eliminada quando toda a ordem social de que resulta for revolucionada pela base. (daqui)
(Engels, em Para a Questão da Habitação, 1872/73)
Adenda:

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Relatório fidedigno conclui: Portugal já produz a Bomba!

No seguimento das nossas irrefutáveis provas da existência de um campo de concentração na Panasqueira, o Comité dos Direitos Humanos no Portugal (CDHnoP) disponibiliza finalmente as evidências de que Portugal está prestes a conseguir a sua primeira Bomba Antónia. Um cientista dissidente do regime garantiu que na Central de Sines já está concluído o processo que permite o "Excelentíssimo Chefe" de Estado da República Portuguesa obter eucalipto empobrecido.

Disto o jornal Expresso não inventa (ou inventa?), e recusa-se a publicar, apesar de o "Excelentíssimo Chefe" ameaçar mais que uma vez que vai falar embora diga sempre que já disse tudo. Há uns anos demonstrou publicamente o deleite perante a tortura de bovinos açorianos através de robôs agarrados às suas tetas. Sádico! Agora, que este delirante "Chefe de Estado" possui eucalipto empobrecido, teme-se por todas as vacas do mundo. A ameaça de uma guerra antónia paira sobre a humanidade.

Aqui estão as temidas provas que o jornal Expresso ainda não divulgou por comprometimento com o regime: 

(clique numa imagem para as ampliar)



Apelamos à comunidade internacional que imponha sanções. Libertem Portugal à bomba deste sinistro "Excelentíssimo Chefe" tal como fizeram no Iraque e na Líbia. Oh NATO, por favor, liberte as nossas tetas destes encavacados robôs.

sábado, 27 de outubro de 2012

Campo de Concentração da Panasqueira

(clicar para ampliar)
De fonte fidedigna:
Imagens de satélite impedem o regime de negar a existência de campos de concentração.

Os prisioneiros, "condenados" a prisão perpétua, não têm qualquer contacto com o exterior. Testemunhos de antigos guardas indicaram que os prisioneiros, alguns dos quais crianças, eram utilizados como cobaias para experiências médicas e militares. Já nem podem jogar à bola.

O regime prepara um congresso para breve. Decidirão qual a empresa de distribuição que deverá ser escolhida para seleccionar os mais gordos e produzir manteiga.

Alguns dirão que "lá começaram eles com a diabolização"! No entanto, o jornal Expresso sabe que a comunidade internacional vai na ONU defender em linha para meter as vítimas em fora-de-jogo.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Genesis - Ripples (Live at the Lyceum, 1980)

Esta é a par com outras duas ou três bandas de rock a minha preferida. Os Genesis eram, sobretudo na fase em tinham como vocalista Peter Gabriel, absolutamente incríveis. Já outrora houve uma referência a eles neste blog (aqui). Para mim, a melhor banda de progressivo.

Esta música surge já na fase pós Peter Gabriel. É algo absolutamente mágico. O interlúdio instrumental, entre dois dos refrões cantados pelo Phil Collins, é algo maravilho e de assinalar.

Parece tudo bater certo, ficar em harmonia, em uma palavra: beleza.

domingo, 21 de outubro de 2012

Da Islândia sobre a Islândia (nova versão)

Apaguei o post «Da Islândia sobre a Islândia» que publiquei na sexta-feira. Ele continha uma resposta dada por uma pessoa que vive na Islândia. Apaguei, porque a autorização que tinha para divulgar o texto que me foi enviado, afinal, era somente para o fazer por mail e não para publicar aqui. Se alguém o quiser ler, peça, que lhe enviarei o texto.

O texto foi uma resposta ao vídeo «Aconteceu na Islândia», e dá para resumi-lo nos seguintes pontos:
  • Não é à primeira revolta, pressão, ou manifestação popular que se faz cair um governo no mundo.
  • A reescrita da nova constituição será corrigida e aprovada pelo parlamento, ou seja, no final serão os deputados que a vão moldar e fazer aprovar.
  • Os governantes do conservador Partido da Independência, que estavam no poder à mais de 14 anos (sozinhos ou coligados) e comprometidos com os banqueiros, estão novamente a subir nas intenções de votos. Tudo leva a crer que ganharão as próximas eleições, regressando todos, de novo para o poleiro.
  • Aliás, diga-se que o ex-primeiro ministro e director do banco da Islândia na altura do colapso económico, Davíð Oddsson, é o director do maior jornal do país. Ele redesenhou varias vezes a lei que permitiu aos bancos actuar da forma que actuaram. Nunca foi incomodado por isso, e foi premiado em 2009 com o cargo de director do maior jornal do país.
  • Como era de esperar, o julgamento do Primeiro Ministro, deu recentemente em nada. E esse julgamento só foi adiante pois era também politico. Assim, julgou-se e ele ficou em liberdade, agradando a todas as partes. 
  • Até hoje, não existe um alto implicado da bancarrota da Islândia preso, e não existe fuga massificada para o exterior dos implicados da bancarrota. E assim vai ser com todos e já nem os islandeses tem esperança de ver algum responsável implicado na bancarrota de um dia pagar por isso.
A mensagem não era muito optimista e dava a entender que no exterior se fantasiava um pouco a realidade islandesa terminando a dizer que "o jardim dos outros é sempre mais verde que o nosso". A mim, parece-me, pelo que conheço da Islândia, que aquele país é realmente um bocado para o verde. Talvez seja um erro de percepção.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Cerco a São Bento (12 de Novembro de 1975)


Isto é um excerto retirado de Scenes from the Class Struggle in Portugal de Robert Kramer. Pode ser visto na integra aqui.

Para ler mais sobre o assunto, aqui.

domingo, 14 de outubro de 2012

kontra korrente

Acabo de acrescentar mais um blog à lista da barra lateral "De olho nestes". Chama-se kontra korrente e tem como autor um autores dois dos bloggers mais interessantes que tenho lido, por isso, arrisco já esta recomendação. O primeiro post podia ir directo para a secção deste blog «Rumo ao Fascismo», e pode ser lido aqui.

edit:
Não ia adivinhar que não era só o Bruno Carvalho (que me fazia ler o 5Dias) e era antes um colectivo.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Felicitaciones... Hugo, Venezuela, América Latina...

Chavez foi reeleito. Gostaria de escrever mais sobre o assunto. O processo político que há anos ocorre na Venezuela tem para mim um significado pessoal importantes. Foi ao tentar compreende-lo, que percebi a descomunal distância entre o que dizia os média que via e a realidade. Isso, na altura, foi um choque; também uma ruptura da maneira como olhava para o mundo. Em mim, ocorreu um processo de consciencialização política sem precedentes e com resultados improváveis à priori. Portanto, tinha que assinalar este acontecimento e mostrar a minha satisfação.



A diabolização mediática diga o que disser. Não precisamos de pensar como a TV. Não é difícil aceder a informações sobre a Venezuela e tentar compreender o processo político que ali ocorre nos últimos anos. Esta é uma excelente notícia para a Venezuela, a América Latina, e para o mundo.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Estou a pensar ir para puta

Não publiquei nada sobre a manifestação de sábado, nem ia publicar nada nestes dias, pois tenho que estudar para um teste. Mas, agora, vi uma proposta de emprego que muitos de vós estarão interessados e percebi que era bem mais gratificante escrever isto do que estudar. De certeza que um de vós estará interessado em tal oportunidade de uma vida. Vejamos:

Estão a contratar um Engenheiro Civil com licenciatura ou mestrado integrado (portanto, 5 anos de formação), no Técnico (IST) ou na NOVA; com experiência; com bom domínio do inglês e, também, do francês (falado, escrito e oral). Isto, para um trabalho a full-time, das 9h às 18h.

Em troca, oferecem o ordenado de 485€, mais um miminho: um seguro de saúde. Mas há mais boas notícias: o contrato é a termo e por 6 meses, pelo qual, depois, assim que desempregado, poderás ver a coisa como uma oportunidade na tua vida.

Mas é como diz o ditado alentejano: "Antes assim do qui piori". Aqui!

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Solidariedade proletária

Ao fazermos da manifestação de dia 29 bem sucedida, não estamos apenas a ajudar-nos como trabalhadores portugueses, mas também a ajudar todos os outros. Pode não ser óbvio, mas isto anda tudo ligado.

Em Portugal, desde 17 de Setembro que a maioria dos portos portugueses está paralisada  devido à greve dos pilotos de barra, à paralisação dos estivadores e dos  trabalhadores das administrações portuárias:

On Tuesday a one-hour strike in solidarity with the Portuguese dockers brought all production in the port of Gothenburg to a standstill. Solidarity strikes between 8.00 and 9.00 AM were held all over Sweden and in seven other European countries to support the striking dockers in Portugal. Today's international industrial action, coordinated by the International Dockworkers' Council, coincided with the opening of the EU-commission's meeting in Brussels concerning the future of the port industry.

From Gothenburg and other Swedish ports, the message was clear: We stand with our Portuguese collegues in their important struggle for decent working conditions and respect for health and safety.

Foto: Malin Ulfhager/Sveriges Radio
  Adenda:

Porto de Bilbau
Isto está tudo ligado.

De fazer lembrar a famosa frase:

"Proletários de todo os países, uni-vos!"

 

sábado, 22 de setembro de 2012

A Queda da Casa de Usher - Edgar Allan Poe

Obscuro. É o que tenho a dizer.

Que tétrica situação em que um conto aparentemente enfadonho e com uma negritude batida, gasta, abusada por filmes e séries duvidosas, acobarda as ondas, afugenta o sol, e num raio distante da vista as mamas desaparecem! Aos pares! Na areia afunda-se os pés.

Obscuro. Não é bem o que tenho a dizer.

Que tétrica situação em que um conto inicialmente enfadonho entranha subrepticiamente na mente de sonhos acordados e os torna húmidos de suor. Pudesse eu ir para a cama húmido ou houvesse alguém no seio dela húmida! A areia molha os pés; aos pares.

Que tétrica situação! Era o que tinha a dizer.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Para a Questão da Habitação


Há algum tempo que um livro não me prendia tanto o interesse. Talvez por me interessar por Urbanismo, aquela que deverá ser a área mais interligada com as ciências sociais na minha formação académica.

Penso escrever mais posts acerca deste livro, o primeiro texto publiquei-o agora no Leitura Capital.

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Para a Questão da Habitação, na integra,
em PDF, aqui.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

José Gomes Ferreira, hoje no Jornal Nacional

José Gomes Ferreira (JGF) é um economista/jornalista/opinador completamente restrito ao pensamento dominante. Apesar disso, as palas ideológicas que tem nos olhos é de certa forma parcialmente compensado pela atenção, criatividade, e seriedade com que analisa o panorama financeiro e económico para os canais televisivos do grupo Impresa SA. É dos poucos que ainda respeito e me prendem a atenção entre as dezenas de caras fixas dos canais e jornais do Balsemão.

Hoje JGF teve uma intervenção interessante no Jornal da Tarde, mas vejamos alguns pontos:


  1. Após lembrar que as mudanças no TSU tiram dinheiro aos trabalhadores para dar ao capital, revela que isso dará um "balão de oxigénio" a muitas grandes empresas que aproveitarão para pagar as suas dívidas à Banca. É então que JFG, no minuto 1:44, revela a sua desconfiança de que o governo não quer resolver os problemas do país com equilíbrio mas que há uma aproximação a quem se "portou mal" (leia-se, a Banca) [sic]. Afinal, era a Banca que ganharia com tudo isto.

    Ora, não fossem as suas palas ideológicas talvez não colocasse nenhum governo, ou Estado, acima das classes sociais, como que de um árbitro que equilibra e harmoniza as relações entre capital e trabalho. Ora, isso nunca acontece. Pelo que oiço de JFG, ele não ignora a existência de classes sociais, mas ignora o conceito de luta de classes, e talvez por isso, ele não compreende que o governo é fruto duma relação de forças entre as classes, e sendo dominante o capital (sobretudo financeiro), então, não deveria surpreender ninguém que o governo pratique sobretudo políticas do interesse do "mal comportado" capital financeiro (a Banca).
    .
  2. No final, JGF mostra que o ministro do CDS Pedro Mota Soares é incoerente (palavra e eufemismo da minha responsabilidade). Mas, JGF prefere escolher um vernáculo bem mais duro, e optou por dizer que "isto é mais que distracção, isto é uma outra coisa mais feia..." - atenção, reticências!!!!! Pensei que ia chamar os bois pelos nomes, mas desiludi-me tremendamente quando rematou com um mero «incompetente» (!) (palavra e eufemismo da responsabilidade de JGF).

    Quanto a este mito da incompetência, escrevi o post anterior e mais nada pretendo acrescentar de momento: Isto não é um governo de incompetentes, porra!.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Isto não é um governo de incompetentes, porra!

Cito isto que é curto e grosso:
Anda para aí a circular a ideia de que isto é um governo de incompetentes, de gente que anda a fazer experiências connosco, que anda a brincar com a nossa vida, que se enganou, que comete erros, etc.

Não tenhamos ilusões: este governo está a cumprir rigorosamente o programa e o sonho molhado da direita e do grande poder económico para Portugal: transformar isto numa Singapura da Europa - exploração máxima, lucro máximo, salários de miséria e trabalho escravo.

Para cumprir esse programa, tem de ser um governo descartável: fazer o máximo de estragos enquanto não cair. Depois, virá um outro, com ares de grande sapiência e serenidade, continuar o trabalho, em condições mais favoráveis para o saque do país.

Se nos deixarmos enganar...
(citação atribuída a Pedro Penilo, mas não o confirmei)

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Mensagem para uns amigos

Adivinha-se para breve o fim deste governo PSD/CDS/troika. Está gasto! Sem surpresa, ficou podre bem mais depressa que o governo PS/troika anterior. Por isso, nota-se já que é hora das "abstenções violentas" (!) darem lugar a um verbalismo mais forte e até aparentemente radical. Dito de forma mais clara: ai virá o PS a mostrar-se como alternativa e ao lado da classe trabalhadora, quando ele é historicamente um traidor de classe e, concretamente, não passa de mero partido de alternância. Adivinho que estejam a dar atenção ao termo traidor, mas reforço o outro: alternância. Alternância (e não alternativa).

Tu dizes que se aproxima o "circo eleitoralista", o chamado "jogo partidário", e aproxima-se sim. E porque o PCP participa no parlamento e nas eleições, ao toma-lo como igual a outros, simplesmente, inconscientemente, ofendes aqueles que estão inseridos na luta proletária e se organizam em partido. Naturalmente, eles usam as eleições e o parlamento como frente de luta, afinal não se deve deixar nenhuma frente de luta sem resistência, mas essa luta está longe de se resumir a isso.

Caros amigos, sei que a maioria de vocês é, cada um à sua maneira, anti-comunista. Uns são abertamente, e outros, a maioria, não tem consciência de o ser. Mas agora que muitos de vós sentem, finalmente, a necessidade de agir politicamente, gostaria de vos deixar claro isto:
É com os comunistas que está a mais assertiva resposta à agressão de classe a que estamos sujeitos, quer gostes quer não.

Lutar contra a classe dominante e construir uma sociedade adequada aos nossos interesses é muitíssimo complicado, e ignorar o legado de mais de 90 anos do Partido Comunista Português é simplesmente estúpido. Ignorar a CGTP, também. Acho que vocês percebem porquê, ou preciso explicar? Assim sendo, então vão-se mentalizando...

Dirão alguns que é preciso outras formas de luta. Creio que está certo, mas acho também que com o tempo qualquer organização ao maturar a sua luta - se entretanto não desaparecer ou desviar-se dos objetivos - irá ficar cada vez mais parecido com o que é o PCP. É uma questão de tempo, de décadas.

É assim que hoje penso, mas nem sempre foi assim. Perdi os preconceitos anti-comunistas e, algo contrariado, até me tornei em um comucoiso, pois, por necessidade tinha e tenho de dar prioridade à razão. Tudo isto é algo que demora a aprender, a absorver e a fazer-nos agir mais assertivamente na transformação da sociedade. Algo que é cada vez mais urgente. Não se pode deixar tal tarefa para os outros.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Discurso de Jerónimo de Sousa na Festa do Avante!

É longo o discurso. Está lá tudo, ou quase tudo. A situação não se resolve com superficialidade e seus truncados excertos televisivos do discurso. Aqui está uma fantástica intervenção de Jerónimo de Sousa... É com os comunistas que está a mais assertiva resposta à agressão de classe a que estamos sujeitos, quer gostes quer não. Agora, em modo de escuta e reflexão:


Gostaria de destacar vários trechos, mas opto por este:

"Há quem diga que, perante o fracasso desta política de desastre nacional, estamos perante aprendizes de feiticeiro, vítimas do ricochete do seu próprio feitiço.

Puro engano!

Eles não são principiantes! Eles são mestres na arte da exploração dos trabalhadores e dos povos, para servir os senhores do dinheiro. Na sua maioria cursaram e fizeram tirocínio nas escolas do pensamento neoliberal, nos alcatifados da União Europeia e nas mais afamadas administrações dos grupos económicos e das grandes instituições financeiras, cujas portas estão sempre abertas a um regresso, depois de uma “sacrificada comissão de serviço público”. Eles são peritos na arte da mistificação. Eles nunca se enganam na receita e o feitiço nunca se vira contra eles, nem contra os interesses que servem, mas contra os trabalhadores, contra o povo."
Assim, evidenciado o cariz de classe das intenções daqueles que nos governam (como podemos ir comprovando aqui), o Vasco fez-me notar que o discurso foi também um "discurso da esperança. Um discurso que diz, sim é possível uma política diferente. Sim é possível um Portugal digno. Sim é possível viver noutro modelo, num modelo que se centre nas pessoas e nas suas necessidades" (vejamos aqui).

Reabertura do estaminé

Daqui fala o narrador deste blog.

O autor do blog escreveu vários posts com o propósito de retomar aqui as suas publicações, mas foram todos parar aos "rascunhos". São cada vez mais os textos por publicar à espera do momento ideal, e outros, esquecidos provavelmente para sempre. Ele é parvo!

Por isso, aqui reabro eu uma nova série após as férias de Agosto, senão o autor do blog nunca mais publica nada e transformar-se-á ele próprio num rascunho engavetado para todo o sempre.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Tó Zé - o Merceeiro.

Todos sabiam. O Tó Zé "Merceeiro" dava valentes sovas na mulher. Distribuía o seu "amor" à paulada. E, uma vez, usou a carrinha. Ele não era bonito, mas era simpático para a freguesia. Certo dia, a mulher contraiu o divórcio mesmo sem receita do médico. Dizem que se enrolou com o pároco. Tó Zé - o merceeiro - virou, na comunidade, de besta a coitadinho. Um ano depois pendurou-se pelo pescoço com uma corda ao estendal da roupa e ficou metamorfoseado em pêndulo. Nesse dia, do lado oposto da rua, o Café Central encheu. Todos o testemunharam: a corda matou-o!

Mas o estranho veio depois. Morto, a vizinhança não se permitia a lembrar o talento com que Tó Zé "Merceeiro" transformou com a carrinha a mulher em um projéctil. Já só se podiam lembrar que o merceeiro vendia mais barato. Era um bom homem - repetiam. O divórcio matou-o - escreveram no jornal da freguesia.

No funeral de Tó Zé apareceram os amigos dos copos, as beatas que não conseguiram a atenção desejada do pároco, a ex-mulher para espanto de muitos, e um desconhecido. Por impertinência de quem se julga importante, o desconhecido quis dizer umas palavras de homenagem, subiu a um escadote e disse que o defunto foi "uma personalidade que teve um percurso cívico extraordinário" e é "uma perda muito grande para Portugal". Bateram palmas!, excepto a ex-mulher. Mentira! -  gritou ela -, acrescentou que o desconhecido não conhecia sequer o morto, que se teria enganado, e ido mentir para o funeral errado. Os outros censuravam-na, alegando que assim desrespeitava o morto.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Cultura

A ideia de que a «cultura» é coisa para letrados, ricos e urbanos diletantes entra, provavelmente, no rol das piores imbecilidades. Cultura é tudo o que nos toca, promove, organiza e perpetua. As histórias contadas ao serão e partilhadas em momentos familiares são cultura. Os episódios de intriga de aldeia que nos ensinam, espicaçam a curiosidade e relembram (e revivem) os que já se foram, é um factor de enriquecimento e de cultura. A memória é cultura. Há formas organizadas de gerir a cultura – desde os museus às exposições – mas a verdadeira aquisição de cultural não se faz nas reuniões alcatifadas da sociedade ou nas salas de concerto da capital. Faz-se no dia-a-dia. Música é cultura. Teatro é cultura. Obras de artesãos são cultura. Escritos são cultura. Tradição é cultura.» 

Mário Cordeiro, Pediatra.

domingo, 15 de julho de 2012

Meia-luz



E foi com esta que me rendi a esta banda... Uma fina textura de som perfeita para apreciar a beleza obscurecida entre as cores pardas de uma longa noite. Sim, és... também à meia-luz.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Fulanização da Política

Fulanização - acto de identificar uma pessoa, mas cuja identificação não interessa, ou não é fundamental, para a questão.

É um erro comum e promovido nos assuntos políticos. Resulta na ilusão de se pensar que as políticas são consequência de um indivíduo, e não de uma estrutura e dinâmica social concreta.

Mesmo sem Relvas, a desgraça continuará. Tal como sem Sócrates, mesmo sem Coelho, a desgraça continuará. Assim será, enquanto a dinâmica social que promove tais políticas e (seus) indivíduos não mudar. Em suma, o que é preciso mudar mesmo são as políticas. As políticas! Essa é que é a questão: as políticas.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Sobre a União Soviética (URSS)

Isto é sobre a União Soviética (URSS). Tendo em conta a nossa situação política e social actual, são dados um tanto perturbadores! Aqui vai:
  • A União Soviética foi o primeiro país do mundo a instaurar a jornada de trabalho de 8 horas (a partir de 1956 foram implementados os dias de trabalho de 7 horas e de 6 horas, bem como a semana de cinco dias).
  • O primeiro a assegurar o direito do homem a um trabalho permanente e fixo.
  • O primeiro a liquidar o desemprego (1930) e a assegurar o pleno emprego
  • O primeiro a estabelecer um ensino gratuito.
  • O primeiro a fornecer cuidados de saúde gratuitos e a assistência social
  • O primeiro país do mundo a construir uma habitação de baixo preço e a garantir os direitos políticos e sociais fundamentais para a maioria da população.*
* retirado deste artigo de António Vilarigues no Avante!.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Sr. Mike Gramas - o Gangster

Chama-se Relvas, mas se não fosse ele seria o Sr. Gramas. Fulanizar não é a prática mais assertiva. O mais importante não é compreender que ele é um gangster, mas antes, o que faz com que somente vigaristas ou suas marionetas subam ao poder executivo do Estado; e também, como mudar essa situação.

E então como se muda? Como garantir que a coisa pública está em boas mãos?
Penso que a resposta a isso está na chamada pressão social.

Pode não parecer, mas relacionado com isso está este trecho*:
Em que momento um indivíduo se transforma em cidadão? Quando a sua personalidade estabelece relações com a política, e na política actua, a transforma e a molda segundo as urgências e as necessidades da comunidade.
Como diz um amigo meu em relação a um péssimo jogador que passou pelo Benfica:
- A culpa não é do jogador, mas do treinador que é quem o põe a jogar.

* retirado do artigo de hoje de Baptista-Bastos no DN.

terça-feira, 3 de julho de 2012

O rapaz que quer vir a ser mineiro

O rapaz que quer vir a ser mineiro.
Novembro de 1939.


Dizia na época a legenda da fotografia:
O seu pai e seu avô eram mineiros. É sua ambição vir a ser um mineiro, também. Ele não lê as estatísticas do desemprego do Ministério do Trabalho. Ele não sabe quantas minas foram fechadas. Ele nem sabe sequer que, das 19 casas na Greenhough Row, onde ele vive, às vezes, somente quatro famílias têm trabalho.
(fonte)

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Howl (2010) - 6

É interessante como o filme está montado em volta do poema Uivo (Howl) de Allen Ginsberg. Sem que seja um filme que me tenha entusiasmando muito, o poema vai ganhando intensidade durante a obra, e por fim, o filme acaba por ser inclusivamente inspirador.

Apesar de saber que nos EUA casos de censura houve pelo crime de obscenidade (!), não me deixou de surpreender o julgamento, cujos argumentos e provas (!) eram baseados na necessidade e pertinência do uso pelo artista de determinados termos termos e imagens. Metem-me um certo nojo estas bestas pudicas que tentam negar-se na sua própria natureza humana e se amedrontam perante o seu reflexo na arte... lascívia, lascívia, lascívia, é o "pecado" destes ascetas que fica por libertar num uivo.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Eu é mais bolos


A melhor coisa dos jogos da selecção nacional numa fase final de um campeonato são os bolos. Essa invenção que uma santa pessoa teve de fazer um bolo de chocolate para ajudar a selecção, simplesmente deu sentido a este campeonato da Europa. Lamentavelmente, este próximo domingo, não haverá bolo.

O bolo, tenho em conta o resultado da eliminatória, estava com erro de fabrico. A tese é que contra a selecção de Espanha devia-se ter usado chocolate branco, e isso não foi feito: a confecção da sorte foi descorada! O que para mim, faz todo o sentido. Tudo isto faz sentido, para mim. Faz o sentido todinho.

No final, já a selecção se tinha escalamocado contra o poste, planeou-se novas formas de manter a cabeça distraída das más notícias. Sem o "desporto rei" nas conversas, sobrará o assunto daquilo que nos vem sobrando. Era assim confessado o medo perante a vertigem da crua realidade que teima a não melhorar só por si. Fiquei sempre calado. Tenho andado calado. Mas, devia ter falado e sugerido um bolo por cada novo desempregado na nossa rede de amigos.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Capitalismo = Pensamento único


(clicar na imagem para ler os títulos)
Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento. Mas ninguém chama violentas às margens que o aprisionam.
Bertold Brecht

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Os políticos é que são os culpados, eu não.

Além de corruptos, oiço frequentemente dizer-se que "os políticos são todos uns mentirosos". Mas geralmente quem o diz continua a dar ênfase ao que eles falam e não ao que fazem!

Quando digo "ao que fazem", refiro-me, por exemplo, em procurarem saber quando e porquê se levantaram ou se deixaram ficar sentados durante as votações na Assembleia da República.

Após esse exercício, cairia a generalização "são todos". As pessoas bem-intencionadas dariam então a atenção devida aos que não são mentirosos, nem corruptos; quem sabe até, votariam neles. Seria um exercício de quem se digna a ser cidadão. Afinal, cidadão é um cargo político.

Assim sendo, será que os tais cidadãos estão a confessar que "são todos uns mentirosos"? Isso é - juntamente com o abdicar do exercício de cidadania - também um tipo de corrupção.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Síntese da Guerra na Síria (II)

No seguimento do post Sintese da Guerra na Síria (Março de 2012) é agora necessário divulgar a versão exposta nesta notícia, de onde transcrevo os seguintes três parágrafos da nota de Michel Chossudovsky:

Esta notícia incisiva do jornalista russo independente Marat Musin desmonta as mentiras e falsidades dos meios de comunicação ocidentais.
 (...)

O massacre em Houla está a ser atribuído ao governo sírio sem ponta de justificação. O objectivo é não só isolar politica e economicamente a Síria como arranjar um pretexto e uma justificação para desencadear uma guerra humanitária R2P (responsabilidade pela protecção) na Síria. 

(...)

É essencial inverter a maré da propaganda de guerra que se serve das mortes de civis como pretexto para travar uma guerra, quando essas mortes de civis foram executadas não pelas forças governamentais, mas por terroristas profissionais que actuam ao abrigo do Exército de Libertação Sírio, patrocinado pelos EUA-NATO.
Daqui: O massacre Houla: Terroristas da oposição mataram famílias leais ao governo, por Marat Musin.

sábado, 9 de junho de 2012

sexta-feira, 8 de junho de 2012

«Portugal» não é Portugal

As palavras produzem efeitos, sensações. Com elas se manipula o receptor da mensagem para o bem e para o mal. Isso faz-se consciente ou inconscientemente. Por isso, cuidado com a televisão.

Em vez de «Portugal» devia antes dizer-se «selecção portuguesa» ou «selecção de Portugal». Parece ser a mesma coisa, mas não é.

Nós, portugueses, somos constantemente bombardeados com estímulos audiovisuais que tentam promover em nós uma afinidade com a "nossa selecção" e com as marcas comerciais a ela ligada. É tudo negócio; e, ilusão. A selecção nem sequer é nossa!, e Portugal pouco ou nada ganha com os resultados da selecção nacional de futebol. Mas se isto pode ser discutível - será? -, uma coisa é certa: «Portugal» não é Portugal.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

o velho capitão


Não vou descrever o momento. Isso seria para os poetas. Com Mário Wilson, aquilo que no fundo, às vezes tão lá no fundo, liga as pessoas entre si, fica claro, e à vista. A amabilidade com que recebe, e se oferece ao próximo é indescritível.

Foi com essa poesia que no fundo - não há poeta que descreva tão fundo -, que hoje, e sempre, o amigo Sr. Wilson confraternizou com os meus pais. Não lembrava que era assim, mas as recordações que tenho dele, com eles, revelam-me que sempre assim foi. Uma tremenda amabilidade. Uma qualidade dos grandes Homens.

Cumprimentou-me - se é que esse é o termo. Enfim, segurou-me a mão com ambas as mãos - se é que essas são as palavras. Nada falamos - mas só eu é que nada disse. Mais tarde, brincou, «Quem é este gigante que aqui está?!»... De momento, tenho nas mãos a sua biografia e vem com uma dedicatória dirigida a mim! Diz no final que para o ano vamos ser campeões! - ao que traduzo para um: para o ano vais ser como eu. Mas, ele, acho eu, pensa honestamente que só há campeões quando o são como colectivo. Procurou dizer por palavras aquilo que sabe dizer sem elas, porque no fundo, tão lá fundo, não há palavras. Só é descritível sem elas, onde o velho capitão é poeta.

domingo, 27 de maio de 2012

Sankt Pauli


Na sexta-feira, esperava numa estação da linha de Cascais por um comboio, quando um senhor sentou-se ao meu lado. Fiquei espantado por ele trazer vestido uma t-shirt preta do St Pauli. Se nunca ouviste falar, o St. Pauli é um clube desportivo muito sui generis de Hamburgo...

Ontem, sábado, após ter participado na manifestação do PCP contra o «pacto de agressão» que é a Troika, vinha com uns amigos quando nos cruzamos com um outro senhor com uma t-shirt preta igual. Quem ia comigo comentou: Viste? Aquele trazia uma camisa do St. Pauli! Sim - respondi -, contei-lhe que era a segunda t-shirt que via em menos de 24 horas e falei-lhe então do acontecimento do dia anterior. Ele achou curioso e surpreendente encontrar-se tantas referencias ao St. Pauli, afinal, não se trata de um clube português e a sua equipa de futebol joga na segunda divisão alemã.

Mas, o mais surpreendente ocorreu depois. Assim que acabamos de falar acerca do tal homem que na estação de comboio trazia vestido a t-shirt, nem dez segundos passados, e esse mesmo senhor passa no passeio ao nosso lado!! E, o mais fantástico, levava ainda consigo a sua t-shirt do St. Pauli!!! Há com cada coincidência!

(e é com este glorioso momento que introduzo o blog do St. Pauli Portugal na barra lateral)