Mostrar mensagens com a etiqueta O Pirata. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta O Pirata. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 6 de junho de 2014

O Desembarque na Normandia, ou as distorções da História

(texto de Margarida Tengarrinha)

Reunir-se-ão hoje, com Obama, os vários chefes de Estado europeus (entre eles também estará Putin), para comemorar na Normandia o que todos os meios de comunicação social não deixarão de chamar "o momento (ou a batalha) decisivos para acabar a Segunda Guerra mundial e derrotar Hitler", por estas ou outras palavras, será este o tom geral.

Para defender a verdade histórica, porque estive na União Soviética nos sítios das verdadeiras batalhas decisivas, vi as ruínas e as terríveis destruições provocadas pelo exército nazi, conheci alguns sobreviventes e falei com eles do simples e modesto heroísmo dos verdadeiros herois que não podiam esquecer, e assim conheci a verdade histórica nos próprios locais, quero com as palavras simples da verdade, concorrer para repô-la.

Quando se formou a Aliança dos Estados que combatiam o exército nazi, Roosevelt e Churchill comprometeram-se perante Estaline a abrir a segunda frente (a ocidente) em 1941. Foram adiando enquanto os exércitos nazis invadiam a URSS e chegavam a Leninegrado, Moscovo e Estalinegrado, enquanto Hitler ia clamando vitória. A tal segunda frente não se abria... só se abriu, com a entrada na Normandia, em Junho de 1944.

Entretanto, o que acontecia na Rússia?
  • A Batalha de Leninegrado decorreu entre 10 de Junho e 1941 e 1 de Março de 1944. Foi o cerco de uma cidade mais longo de toda a História mundial. O bloqueio foi rompido a 7 de Janeiro de 1943 e as tropas soviéticas passaram ao ataque em 14 de Janeiro de 1944. E em 1 de Março desse ano lançaram uma poderosa ofensiva que fez recuar as linhas inimigas entre 220 a 280 quilómetros dos limites da cidade.O exército nazi só recuou definitivamente dessa frente em Agosto de 1944.
  • A Batalha de Moscovo decorreu entre 30 de Setembro de 1941 e 20 de Abril de 1942. As tropas soviéticas passaram à ofensiva nos dias 5 e 6 de Dezembro de 1941. Entre 7 e 10 de Janeiro de 1942 lançaram uma ofensiva em todas as frentes. Em Abril de 1942 o inimigo tinha recuado entre 100 a 200 quilómetros para longe da cidade.
  • A Batalha de Estalinegrado decorreu entre 7 de Julho de 1942 e 2 de Fevereiro de 1943. As tropas soviéticas passaram à ofensiva nos dias 19 e 20 de Novembro, conseguindo cercar 28 divisões alemãs (330 mil homens) e impor a rendição às tropas do General Von Paulos (91 mil homens).
  • A Batalha de Kursk - as tropas alemãs, que iam recuando, lançaram um poderoso contra-ataque mobilizando toda a sua capacidade em tanques e carros blindados. Esta batalha, na região chamada "o Arco de Kursk" decorreu entre 5 de Julho e 23 de Agosto de 1943 e foi decisiva para a expulsão do Exército Alemão da terra russa. A seguir, o Exército Soviético começou a libertação da Polónia, avançou para a Moldávia e Roménia e Checoslováquia.
A chamada "abertura da Segunda Frente", com o desembarque na Normandia das tropas britânicas e americanas, que é comemorado hoje, deu-se no dia 6 de Junho de 1944, quando o exército alemão já estava em pleno recuo e as tropas soviéticas, avançavam para Berlim, que de facto tomaram.
(texto retirado daqui: https://www.facebook.com/margarida.tengarrinha/posts/1418776138403178 )

sexta-feira, 8 de março de 2013

Dia da Mulher, por Joana Metrass

Joana Metrass (actriz)
Isto é uma página sobre o meu trabalho é certo, mas o meu trabalho faz parte de quem eu sou e aquilo em que acredito faz-me ser quem sou: 

Dia da Mulher

Oiço vários homens, perante este dia, dizerem algo como “porque não há também um dia do homem”? “que sentido faz haver ainda, hoje em dia, um dia da mulher”? 

Se quisermos ignorar as batalhas passadas e conquistas que merecem ser lembradas e celebradas, pelo menos pensemos nas batalhas ainda por lutar. Não faz sentido nos dias e hoje?

Nos “dias de hoje” existem países que tornaram legal a violação dentro do casamento, existem países que condenam à morte mulheres por adultério, países que consideram as mulheres culpadas das suas próprias violações, países que consideram as mulheres como propriedade do pai, depois do marido e depois ainda de toda a família do marido, países onde as mulheres ainda não podem votar…

Neste nosso Ocidente tão evoluído é tudo tão menos óbvio: “apenas” lutamos, por exemplo: contra a violência domestica (da qual foram vitimas entre 35 e 40 mulheres no ano de 2012 em Portugal, número que está a aumentar e não a diminuir, por oposição ao número de queixas, visto que na maioria dos casos não acontece nada ao agressor a não ser tornar-se mais agressivo após saber da queixa, o medo de fazer queixa aumentou…também as mortes…), lutamos contra o machismo socialmente aceite, escondido em frases como “eu até ajudo em casa” ou mesmo com a falta de informação que faz grande parte das mulheres dizer orgulhosamente “eu não sou feminista” (julgado que o feminismo é o oposto do machismo:as feministas não acham que são melhores que os homens, nem que estes são seres inferiores) mas que vão votar, que trabalham, que vão a tribunal pela guarda dos filhos etc etc etc, conquistas das lutas dessas feministas, esses seres que são “ umas lésbicas ou solteironas, mal amadas, destrambelhadas que queimam sutiãs”.

Só o simples facto de esta ainda ser a ideia geral do que é uma feminista prova que não vivemos num mundo igual, prova que vivemos num mundo de homens em que as mulheres lutam todos os dias para ser vistas como iguais, porque os homens quando lutam são Heróis, as mulheres “umas mal-amadas” ou tantas outras coisas.

Porque é que não existe um dia do homem? Sim, há tantos homens pelo mundo vitimas de tantas injustiças mas não existe nenhum sitio no mundo onde um humano seja descriminado, tenha menos direitos ou menos liberdade, seja portanto vitima dessas injustiças unicamente por ter nascido do sexo masculino.

Hoje em dia a luta das mulheres sofre por até a grande maioria das mulheres achar que já não existe nada por que lutar. A existência do dia da Mulher é essencial para relembrar toda a igualdade e respeito pela diferença que falta conquistar por esse mundo fora.

Este dia é não só por todas as que lutaram e que nos permitiram vivermos como vivemos hoje mas principalmente por todas as que ainda lutam e ainda sofrem. 

Desejava que todas as mulheres do mundo tivessem um bom dia da mulher, infelizmente sei que assim não o é. Mas pelo menos hoje, que todos nos lembremos dessas mulheres. 

E por fim, obrigada a todas as mulheres que me deram os direitos que tenho hoje, e obrigada a todas mulheres com quem cresci e a todas as que tanto admiro.
________________________
Post do ano passado aqui no Três Parágrafos

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

A invasão real da África não está nos noticiários (excerto)

«Uma invasão da África de grandes proporções está em andamento. Os Estados Unidos estão a instalar tropas em 35 países africanos, a começar pela Líbia, Sudão, Argélia e Níger. Isto foi informado pela Associated Press no Dia de Natal, mas ficou omisso na maior parte dos media anglo-americanos. 

A invasão pouco tem a ver com "islamismo" e, quase tudo a ver com a aquisição de recursos, nomeadamente minérios, e com um acelerar da rivalidade com a China. Ao contrário da China, os EUA e seus aliados estão preparados para utilizar um grau de violência já demonstrado no Iraque, Afeganistão, Paquistão, Iémen e Palestina. Tal como na guerra-fria, uma divisão de trabalho exige que o jornalismo ocidental e a cultura popular providenciem a cobertura de uma guerra sagrada contra um "arco ameaçador" de extremismo islâmico, não diferente da falsa "ameaça vermelha" de uma conspiração comunista mundial.

A recordar a Luta pela África no fim do século XIX, o US African Command (Africom) construiu uma rede de pedintes entre regimes colaboracionistas africanos ansiosos por subornos e armamentos americanos. (...) 
É como se a orgulhosa história de libertação da África, desde Patrice Lumumba até Nelson Mandela, estivesse destinada ao esquecimento por uma nova elite colonial negra ao serviço do mestre cuja "missão histórica", advertiu Frantz Fanon há meio século, é a promoção de "um capitalismo desenfreado embora camuflado"» - por John Pilger. (ler o restante aqui)

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Isto não é um governo de incompetentes, porra!

Cito isto que é curto e grosso:
Anda para aí a circular a ideia de que isto é um governo de incompetentes, de gente que anda a fazer experiências connosco, que anda a brincar com a nossa vida, que se enganou, que comete erros, etc.

Não tenhamos ilusões: este governo está a cumprir rigorosamente o programa e o sonho molhado da direita e do grande poder económico para Portugal: transformar isto numa Singapura da Europa - exploração máxima, lucro máximo, salários de miséria e trabalho escravo.

Para cumprir esse programa, tem de ser um governo descartável: fazer o máximo de estragos enquanto não cair. Depois, virá um outro, com ares de grande sapiência e serenidade, continuar o trabalho, em condições mais favoráveis para o saque do país.

Se nos deixarmos enganar...
(citação atribuída a Pedro Penilo, mas não o confirmei)

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Cultura

A ideia de que a «cultura» é coisa para letrados, ricos e urbanos diletantes entra, provavelmente, no rol das piores imbecilidades. Cultura é tudo o que nos toca, promove, organiza e perpetua. As histórias contadas ao serão e partilhadas em momentos familiares são cultura. Os episódios de intriga de aldeia que nos ensinam, espicaçam a curiosidade e relembram (e revivem) os que já se foram, é um factor de enriquecimento e de cultura. A memória é cultura. Há formas organizadas de gerir a cultura – desde os museus às exposições – mas a verdadeira aquisição de cultural não se faz nas reuniões alcatifadas da sociedade ou nas salas de concerto da capital. Faz-se no dia-a-dia. Música é cultura. Teatro é cultura. Obras de artesãos são cultura. Escritos são cultura. Tradição é cultura.» 

Mário Cordeiro, Pediatra.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Sobre a União Soviética (URSS)

Isto é sobre a União Soviética (URSS). Tendo em conta a nossa situação política e social actual, são dados um tanto perturbadores! Aqui vai:
  • A União Soviética foi o primeiro país do mundo a instaurar a jornada de trabalho de 8 horas (a partir de 1956 foram implementados os dias de trabalho de 7 horas e de 6 horas, bem como a semana de cinco dias).
  • O primeiro a assegurar o direito do homem a um trabalho permanente e fixo.
  • O primeiro a liquidar o desemprego (1930) e a assegurar o pleno emprego
  • O primeiro a estabelecer um ensino gratuito.
  • O primeiro a fornecer cuidados de saúde gratuitos e a assistência social
  • O primeiro país do mundo a construir uma habitação de baixo preço e a garantir os direitos políticos e sociais fundamentais para a maioria da população.*
* retirado deste artigo de António Vilarigues no Avante!.

domingo, 6 de maio de 2012

A Crise... ou A Peste, de Camus?

A intenção do narrador não é, entretanto, dar a essas equipes sanitárias mais importância do que elas realmente tiveram. No seu lugar, é verdade que muitos de nossos concidadãos cederiam hoje à tentação de lhes exagerar o papel. Mas o narrador está antes tentado a acreditar que, ao dar demasiada importância às belas ações, se presta finalmente uma homenagem indireta e poderosa ao mal. Pois, nesse caso, se estaria supondo que essas belas ações só valem tanto por serem raras e que a maldade e a indiferença são forças motrizes bem mais frequentes nas ações dos homens. Essa é uma ideia de que o narrador não compartilha. O mal que existe no mundo provém quase sempre da ignorância, e a boa vontade, se não for esclarecida, pode causar tantos danos quanto a maldade. Os homens são mais bons que maus e, na verdade, a questão não é essa. Mas ignoram mais ou menos, e é a isso que se chama virtude ou vício, sendo o vício mais desesperado o da ignorância, que julga saber tudo e se autoriza, então, a matar. A alma do assassino é cega, e não há verdadeira bondade nem belo amor sem toda a clarividência possível.

É por isso que nossas equipes sanitárias, que se concretizaram graças a Tarrou, devem ser julgadas com uma satisfação objetiva. É por isso que o narrador não quer ser o propagandista por demais eloquente de uma vontade e de um heroísmo a que atribui uma importância apenas razoável. Mas continuará a ser o historiador dos corações de nossos concidadãos que a peste tornara dilacerados e exigentes.

Com efeito, os que se dedicaram às equipes sanitárias não tiveram um mérito tão grande em fazê-lo, pois sabiam que era a única coisa a fazer, e não se decidir fazê-lo é que teria sido incrível. Essas equipes ajudaram nossos concidadãos a penetrar mais na peste e persuadiram-nos, em parte, de que, uma vez que a doença existia, deviam fazer o necessário para lutar contra ela. Uma vez que a peste se tornava o dever de alguns, ela surgiu realmente como era, isto é, como o problema de todos.
A Peste, Albert Camus *

domingo, 22 de abril de 2012

Duas transcrições de «Capitalismo para Totós»

I - "todos os Estados são por definição ditatoriais"
Todavia, a verdade é que todos os Estados são por definição ditatoriais - a questão é que as democracias são ditaduras da maioria sobre a minoria e nos estados capitalistas a ditadura é exercida por uma minoria sobre uma maioria.
II - "Menos Estado, melhor Estado"
"Menos Estado, melhor Estado" é um lema absolutamente disparatado do ponto de vista da lógica, mas profundamente perigoso do ponto de vista político. (...) Acresce que o chavão se associa a uma mentira. Na verdade, "menos estado, melhor estado" não significa nem "menos estado", nem "melhor estado" taxativa e transversalmente. Por exemplo, é verdade que defendem "menos estado" nas escolas, na segurança social, na saúde, na inspecção do trabalho, na segurança pública, mas defendem "mais estado" no apoio aos banqueiros corruptos, nas forças repressivas, no aparelho burocrático e clientelar.
As duas transcrições foram retiradas da série Capitalismo para Totós, do blogue Império Bárbaro (I e II). Recomendo a série, é uma excelente leitura.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Excerto de «O que é o materialismo dialéctico?»

O melhor é ler o texto na íntegra aqui, em Diário Liberdade. Deixo aqui três parágrafos deste excelente artigo:

(...) argumenta o companheiro idealista que esse aborrecido processo de pequenas manifestações, grevezinhas e protestos não leva a lado nenhum! O que a gente precisa é de partir esta merda toda, meter uma bomba em São Bento, greve permanente até o governo cair. Essas coisas... É que eu só não faço greves porque elas não duram o que deviam e só não vou às manifestações porque elas não são revoluções...

A lei central da dialética pode ajudar-nos a esclarecer o companheiro idealista. Trata-se do mecanismo de transformação da quantidade em qualidade. Um exemplo prático da aplicação desta lei pode-se ilustrar com a água: baixemos (quantitativamente) a temperatura da água e ela acaba por se transformar em gelo, alterando-se qualitativamente. Ao longo da história, as transformações sociais foram sempre corolário político da luta entre classes opostas por interesses inconciliáveis. Esse conflito, espraia-se diariamente em pequenas ações: manifestações, debates, greves. Mas o que ainda escapa ao companheiro idealista, é que quando a quantidade destes pequenos protestos atinge o ponto de ebulição, tal como a água, dá-se uma mudança qualitativa na sociedade, a revolução.

A História demonstra para além de quaisquer dúvidas que o materialismo dialético não se equivoca: Se a minha geração quiser sair da plateia e pegar a História pelos cornos, não pode delegar a política em ninguém sem fazê-la todos os dias com a sua própria luta. Só a longa e dura luta pelos direitos dos trabalhadores e das populações, pode engrossar o caudal que desagua em mudança. Será também essa mesma luta, a forjar uma nova consciência, que acabe de vez com a perversa cumplicidade entre explorador despudorado e explorado complacente.

Todos à Greve Geral!

quinta-feira, 8 de março de 2012

8 de Março (em três notas)

1#
Contrariamente a muitas outras datas que nos enchem o calendário, vazias de sentido e surgidas a partir de interesses puramente comerciais relativamente recentes, o 8 de Março já tem mais de 100 anos, e resulta do próprio processo de afirmação da mulher, e sobretudo da mulher trabalhadora, no seio da sociedade moderna. Mas ainda há tanto caminho a percorrer... [in o Companheiro Vasco]

Não sendo as palavras em 1# um desabafo, no entanto, trancrevo-o como pequeno desabafo pela forma como vejo o dia festejado por algumas mulheres... A nota 2# referencia que o dia surge da luta pela satisfação das necessidades da mulher, mas sobretudo da mulher trabalhadora. Em 3#, demonstração de consciência de classe, mais um exemplo histórico tremendo da importância, e do legado da luta e desta data feminista.

2#
O Dia Internacional da Mulher, celebrado a 8 de Março, tem como origem as manifestações das mulheres russas por melhores condições de vida e trabalho e contra a entrada do seu país na Primeira Guerra Mundial. (...) Em 1910, ocorreu a primeira conferência internacional de mulheres, em Copenhaga, dirigida pela Internacional Socialista, quando foi aprovada proposta da socialista alemã Clara Zetkin, de instituição de um dia internacional da Mulher, embora nenhuma data tivesse sido especificada. [in Wikipedia]
3#
A data do primeiro Dia Internacional da Mulher não foi uma escolha ao acaso. A indicação do mês de Março está associada a dois acontecimentos de importância simbólica para o proletariado: a revolução alemã (Março, 1848) e a Comuna de Paris (Março, 1871) (...). A 19 de Março de 1911, o sucesso da primeira celebração foi considerável – a maior manifestação do movimento pela emancipação das mulheres, com mais de um milhão de mulheres nas ruas das cidades da Alemanha, Suíça, Áustria e Dinamarca. (...)

É só a partir de 1917 que se estabelece a data de 8 de Março para as comemorações do Dia Internacional da Mulher. No dia 23 de Fevereiro do calendário gregoriano (8 de Março no calendário juliano), as mulheres russas manifestam-se em S. Petersburgo, exigindo pão, o regresso dos maridos enviados para a frente da guerra, a Paz e a República. A greve estende-se rapidamente a todo o proletariado. Em poucos dias a greve de massas transforma-se numa insurreição e ao fim de cinco dias cai o império russo. [in O Militante]

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A guerra começa antes da Guerra

O Pirata é um personagem deste blog que volta e meia rouba umas citações algures na web. Ele diz que tem dois achados perfeitos aqui para o Três Parágrafos.
Vamos então para as citações que o assunto é sério.

A primeira:
Parece que o Observatório Sírio dos Direitos do Homem (OSDH), que alimenta os media mundiais acerca da situação que se vive naquele país, e que todos os dias acrescenta centenas de «mortos» à sua lista, tem sede em Londres e é controlado pelos Irmãos Muçulmanos. Está também em contacto directo com o ministério dos Negócios Estrangeiros britânico e é financiado pelo "National Endowment for Democracy", organização que retira, ela própria, os seus recursos do Congresso dos Estados Unidos.

Chama-se a isto uma fonte credível?

A segunda:
Os americanos quando querem cilindrar um país têm duas linhas de argumentação: ou o governo desse país (que passa logo a "regime") massacra o seu próprio povo e a guerra é "humanitária" - Jugoslávia, Líbia e agora Síria; ou está a desenvolver armas de destruição maciça e a guerra assim passa a ser "defensiva" - Iraque e agora o Irão e quem sabe a Coreia.

Daí deixo um conselho, quando eles vierem com esta conversa, por favor desconfiem... [daqui]
Ambas as citações são da autoria de Gustavo Carneiro.

É fácil notar como os média dos grandes grupos económicos são na maioria do tempo meros porta-vozes dos seus governos, e é mais fácil de perceber isso quando são assuntos de geoestratégia e militares. Muito raramente os veremos a fazer uma análise rica dos vários interesses num conflito. Desconfio sempre destes média e todos os dias me dão razões.

Sugestão de leituras sobre a Síria:

domingo, 22 de janeiro de 2012

"Querido Líder" - aspas como arma na guerra mediática

 
"O líder da linha Gelug do budismo tibetano, um ramo particularmente opressor relativamente às linhas minoritárias do mesmo budismo, tem como designação "Dalai Lama", "oceano de sabedoria", ou "guru". É identificado, de acordo com a cultura e a crença da dita linha Gelug, por métodos respeitáveis à luz da tradição, mas anacrónicos e anti-democráticos à luz de qualquer noção de democracia. E refiro a democracia porque, sendo o Tibete do Dalai Lama uma teocracia em que religião e estado se combinam, o Dalai Lama foi, e seria, o Chefe de Estado do Tibete. Porque razão tão diferente cultura não é gozada e antes é super-valorizada na nossa livre imprensa?"

por "o Companheiro Vasco".

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

A piratear nos mares do facebook

Ontem por António Filipe:
Passos Coelho tentou desvalorizar o abandono da pseudo concertação social pela CGTP dizendo que a CGTP recusou sempre qualquer acordo. Não é verdade. A CGTP assinou um acordo sobre o aumento do salário mínimo que o Governo não cumpriu. Poderia agora a CGTP participar numa farsa destinada a simular um acordo que consagre o regresso às relações laborais do Século XIX?

Hoje por Manuel Coelho:
Banco de horas, ataque à contratação colectiva, usurpação de dias de férias e feriados, redução das remunerações, despedimentos facilitados e mais baratos, entre outras. Tudo isto "apimentado" por mais desemprego, empobrecimento e exploração.
Digam lá se o Governo e a UGT (sempre igual a si mesma) não são amigos?

 E outro por AC:
"Não é de estranhar a assinatura pela UGT do assalto aos direitos dos trabalhadores. Diz que é terrível, violento, uma grande ofensiva, inaceitável, mas assina. Pois, o mesmo que o PS disse do orçamento de Estado, em cuja votação se "absteve violentamente". Supõe-se que agora a UGT também tenha assinado violentamente. O que até seria condicente com a violenta traição que exerceu sobre quem deveria defender, não fosse a sua já longa marcha de traições...".
*Sobre O Pirata, aqui.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O Capital não tem pátria (2/2)

(...) a própria concepção de pátria difere de acordo com a perspectiva de classe. (...) De certa forma, o operariado e o proletariado não têm outra opção senão ser patriotas. Para a burguesia, o nacionalismo, ainda que fingido ou encenado, é uma escolha. A burguesia não depende da venda da sua força de trabalho, mas sim da capacidade de deter ou não os meios de produção, controlar as relações laborais e de se apropriar das mais-valias produzidas pelo trabalhador. Da mesma forma, a mobilidade do capital, e consequentemente, das riquezas da burguesia, é infinitamente superior à mobilidade do Trabalho. 

Pirateado daqui: «Império Bárbaro - Patriotismo de esquerda»

Recomendo vivamente a leitura do texto na íntegra.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

A metade pobre dos EUA (2/2)

É importante reiterar que o crescimento da pobreza é inerente ao capitalismo. De facto, Karl Marx, ao escrever em 1848 o "Manifesto Comunista", antecipou a descrição dos 1% versus os 99%.

Argumentando contra os capitalistas, que se queixavam do programa comunista de abolir a propriedade privada dos meios de produção, Marx escreveu:
"Horrorizais-vos por querermos suprimir a propriedade privada. Mas na vossa sociedade existente, a propriedade privada está suprimida para nove décimos dos seus membros; ela existe precisamente pelo facto de não existir para nove décimos. Censurais-nos, portanto, por querermos suprimir uma propriedade que pressupõe como condição necessária que a imensa maioria da sociedade não possua propriedade.

Numa palavra, censurais-nos por querermos suprimir a vossa propriedade. Certamente, é isso mesmo que queremos. (in Manifesto Comunista (1848) )
Marx escrevia acerca de um décimo da população versus os nove décimos durante as primeiras fase do capitalismo, antes de a vasta concentração de riqueza, que ele previu, ter alcançado as proporções do século XXI. De facto, hoje apenas uma minúscula fracção dos 1%, os bilionários, controla realmente a riqueza.
Daqui: http://resistir.info/eua/pobreza_21dez11.html
Trazida pel'O Pirata.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

A metade pobre dos EUA (1/2)

O New York Times solicitou ao Gabinete do Recenseamento números com base nestes novos métodos de calcular a pobreza oficial. A nova percentagem foi chocante. O Times publicou suas descobertas em Novembro. Ali era declarado que 100 milhões viviam na pobreza, ou uma em cada três pessoas nos EUA.

Mas um mês depois, em Dezembro, a Associated Press publicou suas descobertas baseadas nos novos cálculos. Ela descobriu que 150 milhões – o que significa cerca de uma de cada duas pessoas – era pobre ou "quase pobre". Quase pobre significa lutar para pagar contas.
 
Daqui: http://resistir.info/eua/pobreza_21dez11.html
Aqui trazido pelo O Pirata.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

República Popular Democrática da Coreia e o falo troikês

Cá está a primeira citação saqueada pel'O Pirata. É um saque em segunda mão feito algures no facebook. A vítima foi o André R.:
«Sabemos que algo está profundamente errado quando as pessoas parecem saber mais de um país que fica do outro lado do mundo e com um contacto com o exterior praticamente inexistente, do que do gigantesco falo troikês que lhes penetra a bunda violentamente de luz acesa e sem tácito consentimento em casa todos os dias.»
Como disse Bertolt Brecht:
Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento. Mas ninguém chama violentas às margens que o aprisionam.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

O Pirata

Este é o Pirata. Ainda muito pouco sei dele mas a sua vida é navegar por essa internet fora a piratear. É mestre do copy e paste e não gosta de pedir licença para roubar ou sequer indicar as fontes. Aos meus leitores asseguro que estarei de olho no zarolho, e sempre que puder evitarei que ele faça tudo o que quer à sua maneira; isso não sucederá por aqui.


Diz ele que perdeu um olho na guerra civil em Espanha enquanto subia num bote o Sado. Algo não me parece bater certo nesta estória, mas receio fazer perguntas incómodas. Refere que a única coisa que tem em comum com o governo é anunciar os roubos que faz. Não pelo Diário da República, mas que aterrorizará com o brinco o autor deste blog para publicar os seus anúncios.

Revela que amanhã tem já programado uma ida por águas do facebook gamar um tesouro que tem debaixo dos olhos... olho. E grita: «vô dar à proa, nã tenho ma'nada a dezer. perdi no Sado a minha perna dançarina de Jazz».