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segunda-feira, 26 de maio de 2014

Deckard segundo Sartre


Deckard não queria aceitar, mas aceitou o novo trabalho como Blade Runner porque foi coagido.

Se estivesse verdadeiramente consciente da sua Liberdade teria recusado, estando ou não coagido por terceiros. Só que ele, na fase inicial do filme, ainda não apreciava verdadeiramente a sua própria humanidade.

Para apreciá-la, ele teria de ter já consciência que era responsável pelas suas escolhas, e não qualquer outra entidade exterior a determinar as suas acções.

Ao contrário dos "Replicants", os humanos não foram construídos com uma essência previamente determinada, esta última é uma construção. Em relação aos seres humanos a existência precede a essência.

Mas será Deckard realmente um humano?

(anotações e corrupções interpretativas a partir do livro Philosophy of Neo-Noir, por Mark T. Conard)

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Carta Aberta a Um Jovem, de André Maurous

Leio «Carta Aberta a Um Jovem» de André Maurois, livro que me custou um euro, e ainda bem que não dei mais por ele. É que não sei se vale mais que isso ou se sou um grande forreta.

Fora de brincadeiras: o livro tem temáticas interessantes, André escreve para um jovem que pressupõe ter cerca de 20 anos, oferece conselhos e dá os seus pontos de vista sobre uma vasta quantidade de temas. Mas, o autor tem um pecado capital: ele é profundamente idealista. 
Temos os meios físicos bastantes para destruir a civilização e a espécie; não temos os meios morais suficientes para para nos opormos a essa destruição. 
Toda a concepção do mundo e de como devemos proceder é por parte de André Maurois construído a partir da moral, ou, por outras palavras, se o mundo está mal é por causa da falta de elevação ética e moral dos políticos e restantes cidadãos. Referências nesse sentido são constantes, mas para este post apenas trouxe duas.
A verdade é que são sobretudo as palavras - e os orgulhos exacerbados - que nos dividem. «Os interesses transigem sempre, as paixões nunca».
Esta última citação sintetiza e deixa a nú o cariz idealista do autor. Tudo é (sobretudo) consequência do espírito humano fraco. Raramente algo é explicado pelo escritor como resultado das condições existentes no meio que descreve. Ele nunca explica as causas do desemprego, por exemplo, limita-se a apelos de que é um mal que deve ser combatido e lamenta-se, igualmente, que a «a civilização da opulência» não resolveu o problema da pobreza, nem sequer nos países desenvolvidos.

Estranho que André Maurois desconheça as causas do desemprego e da pobreza, mas parece que realmente as desconhece, restando-lhe lamentar tamanhos males sociais e pretender passar o valor da luta pela suas resoluções aos jovens que o lêem. O curioso é que tal ignorância ocorre no meio de uma constante verborreia de citações dos grandes escritores e pensadores da História. Como é possível ser-se um intelectual - eleito para a Academia Francesa, inclusive - e ainda assim ter uma concepção do mundo tão superficial? Não quero acreditar que o motivo estivesse em alguma complacência perante o jovem anónimo a que se dirige na carta, ou padecesse de algum tipo de senilidade, selectiva ou não, que o impedisse escrever sobre o mundo de uma forma (quase) materialista. Não vejo que possa ser desculpa o facto de o livro ser do final da década de 60 e o autor ter na altura 80 anos, isso são factores que deviam ajuda-lo a interpretar a sociedade de forma menos ingénua.

Digo eu que não basta ser-se de bom carácter, de moral e ética bem-intencionada, bom cristão, enfim, chame-lhes o leitor o que quiser, para se conseguir construir um mundo mais justo e asseado. É preciso compreender o mundo nas suas leis, o seu movimento e causas, à raiz, para então ser possível transforma-lo.

O livro peca desde o início por mistificar as causas de grandes males da sociedade. Partilha os mesmos pecados que um livrinho que li há tempos chamado «Indignai-vos» de Stéphane Hessel - ainda escreverei sobre ele -, contudo este último sempre divulgava um conjunto importante de injustiças. Carta Aberta a Um Jovem tem ainda uma vasta quantidade de assuntos interessantemente desenvolvidos pelo autor, e tem sido apesar de tudo uma leitura agradável.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Pela Estrada Fora com Dexter Gordon e Wardell Gray



Primeiro trecho onde surge referência a esta música e álbum no livro de Jack Kerouac:
Dean conduzira quase a cento e cinquenta à hora; agora era obrigado a não ultrpassar os centro e dez, caso contrário o veículo inteiro iria voar silvando pla encosta abaixo. Atravessaram as imponentes Smoky Mountains em pleno Inverno. Quando chegaram à porta de casa do meu irmão, há trinta horas que não comiam nada, tirando umas goluseimas e bolachas de queijo.

Comeram vorazmente enquanto Dean de pé, de sanduíche na mão, se inclinava e saltava em frente do grande fonógrafo a escutar um disco de bop arrebatador, que eu acabara de comprar, chamado The Hunter, com Dexter Gordon e Wardell Gray a tocar com toda a garra perante um público estridente que dava uma sonoridade frenética bestial à gravação. Os parentes do Sul entreolhavam-se e abanavam as cabeças de espanto.

- Que tipo de amigos é que o Sal tem? - perguntaram eles ao meu irmão.

Ele ficou sem saber o que responder. As pessoas do Sul não gostam nem um bocadinho de devarios, pelo menos do tipo de Dean dava mostras. Ele ignorou-os por completo. A loucura de Dean tinha desabrochado numa estranha flor. Só me apercebi disto quando eu, a Marylou e o Dunkel saímos de casa para dar uma breve volta no Hudson, na altura em que ficámos sós pela primeira vez e pudemos conversar sobre tudo o que nos apetecia. Dean agarrou no volante, engrenou a segunda, reflectiu um instante, em andamento, subitamente pareceu ter tomado uma decisão qualquer e meteu prego a fundo com impetuosa determinação, lançando-se pela estrada fora.
Se a saúde deixar, espero voltar a manter o blog actualizado... e talvez recupere a intuição do tempo. Se alguém tiver este álbum, o The Hunt, que diga coisas: eu quero-o. Fiquem com mais uma faixa, Até breve.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Sonham os Andróides com Carneiros Eléctricos?

É um excelente livro. Surpreendeu-me em todos os aspectos pela positiva. O forte preconceito que tinha em relação a livros de ficção científica alterou-se e aguardo com expectativa se será igualmente positiva a minha próxima incursão por um livro do género. O filme Blade Runner baseia-se neste livro, mas pouco têm em comum além de alguns elementos base. Ler o livro é uma experiência que nada me afectou pela negativa por já conhecer, e ser fã, do filme.


Sonham os Andróides com Carneiros Eléctricos é um título certeiro que a editora Europa-América não soube dignificar ao assemelhar a capa do livro a um poster do filme. Um pequeno exemplo de como se preferiu corromper a obra de um autor por razões promocionais e de vendas. Cheguei a procurar por uma versão escrita em português que respeitasse o título original mas parece que não existe, é pena. Não consigo deixar de fazer aqui referência a isso.

Em Sonham os Andróides com Carneiros Eléctricos tudo tem uma duplicidade, ambivalência, contradição, que nos entrelaça numa dinâmica de valores e percepção do mundo sempre em transformação, re-análise constante, e o levantar de uma série de questões filosóficas sobretudo existencialistas. O que é um ser humano? Que valor tem? Estas e outras questões vão surgindo implicitamente com o acrescento de mais e mais camadas introduzidas ao ambiente pós-apocalíptico, noir, artificial, "desumanizado" e místico que vai sendo descrito. São questões abordadas de forma muito interessante explorando a semelhança que há entre os humanos e os andróides. Afinal, que diferenças há entre eles, quando há andróides que, por exemplo, participam numa ópera de Mozart possuindo uma das mais belas e comoventes vozes que o protagonista jamais ouviu, e por outro lado, a maioria dos humanos se ligam diariamente a uma máquina que artificialmente lhes programa o estado de espírito? Que valor tem esta vida andróide? Afinal são feitos de matéria viva também. Acrescente-se: a dúvida, sobre quase tudo, é a angústia predominante em toda a obra e o leitor também não sai incólume.

Muitos outros elementos existem na obra que mereciam aqui ser destacados, mas de tão rica que é a obra criada por Philip K. Dick, me são impossíveis de aqui poder abordar. O filme peca por não explorar alguns desses elementos centrais, como a religião predominante - o Mercerismo - e, sobretudo, a relação dos humanos com os seus animais de estimação.

Assim penso: ficar-me-á, este livro, marcado como um dos meus favoritos.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

O Velho que lia Romances de Amor

- É verdade que sabes ler, compadre?
- Alguma coisa.
- E que é que estás a ler?
- Um romance. Mas cala-te. Se falas a chama mexe-se e mexem-se-me as letras.
O outro afastou-se para não estorvar, mas era tal a atenção que o velho prestava ao livro que não suportou ficar-se à margem.
- De que é que trata?
- Do amor.
(…)
- Não me lixes. Com fêmeas ricas, das que fervem?
O velho fechou o livro num repente fazendo tremer a chama do candeeiro.
- Não. Trata-se do outro amor. Do que dói. 

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Crianças chegam ao hospital doentes por terem fome

Esteiros é uma obra literária neo-realista de Soeiro Pereira Gomes. Uma obra de 1941 maravilhosa de se ler, mas sem que isso nos faça perder o sentido da dura realidade da época. O livro por onde li era de 76 e passou pelas mãos de alguém que o sublinhou e comentou, penso que tenha sido uma professora, tendo em conta a natureza dos sublinhados. No início, logo na dedicatória surge o seguinte sublinhado por ela feita:
Para os filhos dos homens que nunca foram meninos escrevi este livro.
Foi para eles que Soeiro dedicou a obra.

Logo abaixo, a leitora escreveu um interessante comentário:
Ser menino é um “luxo” de classe.
Ora, isso assim era. Ser-se menino era um luxo naquela época. Felizmente que hoje uma criança poder ser menino é tomado pela maioria de nós como uma necessidade e um direito humano. Contudo, pelo rumo económico-social em que ainda nos estamos a deixar ir, questiono-me, até quando este direito (ou será privilégio?!) de uma criança ser criança continuará a ser uma realidade aqui mesmo em Portugal?


A todos que, como Soeiro Pereira Gomes, lutaram para que os seus filhos e o dos outros pudessem ser crianças, o mínimo é estarmos gratos, ao invés de os premiamos com estúpidos preconceitos, e o ideal seria juntarmos a eles na luta pelo direito das crianças serem crianças.

Post dedicado às crianças que já não podem ser crianças.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

7, Novembro, noite

O google homenageia hoje Bram Stoker. Escritor irlandês conhecido por ter escrito o Drácula, obra que perdura como sendo a quinta essência da literatura sobre vampiros - assim diz o Wikipédia sobre quintas essências.

Nunca tive curiosidade, por preconceito meu, literatura relacionada com vampiros, mas agora que o Drácula me tem feito companhia nos transportes públicos e às vezes antes de adormecer, mudei completamente a minha opinião sobre ele, e considero-o uma excelente companhia. É verdade que ele me faz às vezes ficar um bocado ansioso como se algo de mau me pudesse acontecer, ou demasiado interessado em observar as suas idiossincrasias que quase perco o barco ou o autocarro. Contudo, conhecer Drácula foi uma das melhores coisas que me aconteceu ultimamente. Tem sido um amigo. Gosto muito do Drácula.

mais tarde -  Estou a sentir-me um tanto temulento, taciturno, sorumbático, macambúzio, carrancudo não, mas definitivamente noitibó, por isso vou terminar de escrever. O Drácula está sob a minha cama me esperando.

sábado, 22 de setembro de 2012

A Queda da Casa de Usher - Edgar Allan Poe

Obscuro. É o que tenho a dizer.

Que tétrica situação em que um conto aparentemente enfadonho e com uma negritude batida, gasta, abusada por filmes e séries duvidosas, acobarda as ondas, afugenta o sol, e num raio distante da vista as mamas desaparecem! Aos pares! Na areia afunda-se os pés.

Obscuro. Não é bem o que tenho a dizer.

Que tétrica situação em que um conto inicialmente enfadonho entranha subrepticiamente na mente de sonhos acordados e os torna húmidos de suor. Pudesse eu ir para a cama húmido ou houvesse alguém no seio dela húmida! A areia molha os pés; aos pares.

Que tétrica situação! Era o que tinha a dizer.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Para a Questão da Habitação


Há algum tempo que um livro não me prendia tanto o interesse. Talvez por me interessar por Urbanismo, aquela que deverá ser a área mais interligada com as ciências sociais na minha formação académica.

Penso escrever mais posts acerca deste livro, o primeiro texto publiquei-o agora no Leitura Capital.

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Para a Questão da Habitação, na integra,
em PDF, aqui.

domingo, 13 de maio de 2012

A Peste, Albert Camus

«Por uma bela manhã de Maio, uma esbelta amazona, montada numa sumptuosa égua alazã, percorria as áleas cheias de flores do Bosque de Bolonha.»

domingo, 6 de maio de 2012

A Crise... ou A Peste, de Camus?

A intenção do narrador não é, entretanto, dar a essas equipes sanitárias mais importância do que elas realmente tiveram. No seu lugar, é verdade que muitos de nossos concidadãos cederiam hoje à tentação de lhes exagerar o papel. Mas o narrador está antes tentado a acreditar que, ao dar demasiada importância às belas ações, se presta finalmente uma homenagem indireta e poderosa ao mal. Pois, nesse caso, se estaria supondo que essas belas ações só valem tanto por serem raras e que a maldade e a indiferença são forças motrizes bem mais frequentes nas ações dos homens. Essa é uma ideia de que o narrador não compartilha. O mal que existe no mundo provém quase sempre da ignorância, e a boa vontade, se não for esclarecida, pode causar tantos danos quanto a maldade. Os homens são mais bons que maus e, na verdade, a questão não é essa. Mas ignoram mais ou menos, e é a isso que se chama virtude ou vício, sendo o vício mais desesperado o da ignorância, que julga saber tudo e se autoriza, então, a matar. A alma do assassino é cega, e não há verdadeira bondade nem belo amor sem toda a clarividência possível.

É por isso que nossas equipes sanitárias, que se concretizaram graças a Tarrou, devem ser julgadas com uma satisfação objetiva. É por isso que o narrador não quer ser o propagandista por demais eloquente de uma vontade e de um heroísmo a que atribui uma importância apenas razoável. Mas continuará a ser o historiador dos corações de nossos concidadãos que a peste tornara dilacerados e exigentes.

Com efeito, os que se dedicaram às equipes sanitárias não tiveram um mérito tão grande em fazê-lo, pois sabiam que era a única coisa a fazer, e não se decidir fazê-lo é que teria sido incrível. Essas equipes ajudaram nossos concidadãos a penetrar mais na peste e persuadiram-nos, em parte, de que, uma vez que a doença existia, deviam fazer o necessário para lutar contra ela. Uma vez que a peste se tornava o dever de alguns, ela surgiu realmente como era, isto é, como o problema de todos.
A Peste, Albert Camus *

terça-feira, 6 de março de 2012

Classe operária (e engenheiros)

A citação abaixo é mais um sublinhado ao livro Pequeno Curso de Economia a juntar aos que aqui tenho deixado no blog. O sublinhado vai de encontro ao pensamento que fui desenvolvendo de que é correcto incluir como pertencente à classe operária os engenheiros. No entanto, mesmo entre outros marxistas noto que se evita uma classificação tão abrangente do conceito classe operária. Incluir um engravatado nessa classificação desafia a imagem que temos do operário de fato-macaco... Vamos ao sublinhado:

A classe operária é composta pelos proletários dos campos, das minas, das fábricas e dos estaleiros, mas também (...) por aquela parcela dos trabalhadores que intervêm na preparação do trabalho industrial (técnicos, engenheiros, desenhadores, informáticos, empregados dos serviços de planificação e dos centros de cálculo) ou que contribuem para o processo de fabricação, particularmente no domínio da logística industrial (...) e das telecomunicações (...).
Também integrarão a classe operária os trabalhadores do comércio, dos escritórios e dos outros ramos dos serviços (...).

Três elementos comuns a todos estes estratos de trabalhadores estão na base da sua classificação como classe operária:
  1. o assalariamento (...);
  2. a participação directa ou indirecta na produção de mais-valia;
  3. a contribuição para criação de valor de uso das mercadorias.
Do livro:
Pequeno Curso de Economia, Fernando Sequeira, Gorjão Duarte, Sérgio Ribeiro, Ed Avante!, (p 157).


Contudo, há diferenças, tanto objectivas como subjectivas, entre os distintos grupos de proletariado. O proletariado industrial desenvolve, normalmente, uma maior consciência social e de classe, sendo por isso mais combativo. Frequente também, como por exemplo entre engenheiros, estes nem sequer se reconhecerem como pertencentes à classe trabalhadora, quanto mais designarem-se com os termos classe operária. Quanto a consciência de classe, vem-me à cabeça como muitos dos meus colegas de engenharia falam com desprezo dos operários (serventes, pedreiros, electricistas, etc).

Mas tudo isto faz alguma confusão, afinal na linguagem comum, tal como vem no dicionário, o operário é a "pessoa que tem ofício manual ou mecânico, sobretudo no sector industrial".

sexta-feira, 2 de março de 2012

O saber científico materializa-se na produção

"O saber científico materializa-se na produção, através da transformação da ciência em aplicação tecnológica, mediatizada pela força de trabalho, fazendo do «processo de trabalho, processo científico» (Marx)."
Do livro:
Pequeno Curso de Economia, Fernando Sequeira, Gorjão Duarte, Sérgio Ribeiro, Ed Avante!, (p 145).

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Sublinhado em O emprego (da força de trabalho)

"Quando se considera o trabalho como primeira necessidade, separa-se a finalidade produtiva do próprio acto que lhe dá origem, pelo que a produção passa a ser um fim e não um meio para a satisfação das necessidades sociais."
Do livro:
Pequeno Curso de Economia, Fernando Sequeira, Gorjão Duarte, Sérgio Ribeiro, Ed Avante!, (p 74).

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Burguesia e Proletariado - duas notas de Engels no Manifesto Comunista

Pelo blog do Vasco fico a saber que o Manifesto Comunista foi escrito há precisamente 164 anos. A transcrição feita no post é da fase inicial da obra, trata-se de um trecho fantástico. O Manifesto é, como se costuma dizer, de leitura obrigatória.

O objectivo deste post é contudo duas notas que Engels adiciona na edição inglesa de 1888 quanto aos termos burguesia e proletariado. Por os termos levantarem questões que me são frequentemente feitas vou transcrever as duas nota:
  • Por burguesia entende-se a classe dos Capitalistas modernos, proprietários dos meios de produção social e empregadores de trabalho assalariado.
  • Por proletariado, a classe dos trabalhadores assalariados modernos, os quais, não tendo meios próprios de produção, estão reduzidos a vender a sua força de trabalho para poderem viver.
É importante notar que ambas as classes sociais estão definidas quanto à relação que as pessoas têm com os meios de produção. Na linguagem corrente - logo também no pensamento dominante - o conceito classes sociais costuma ser uma referência ao poder de compra. Sobre isto sugiro este curto e elucidativo texto, aqui.

Produção e Satisfação das Necessidades

«Produção é a actividade humana que, consciente e intencionalmente, adapta os recursos e as forças da natureza com o fim de criar bens, a que chamamos produtos, para satisfazer necessidades humanas.»

«Organizações sociais há que põem em primeiro lugar a realização de outros objectivos que não os de satisfação de necessidades sociais reais. Tal comportamento leva àquilo que se pode chamar "criação artificial de necessidades" ou o estímulo à criação de necessidades artificiais - pela publicidade, por exemplo - para provocar uma procura que alimente uma actividade económica geradora de lucros e de riqueza.»

 
Em jeito de conclusão:
"(...) no modo de produção capitalista, a verdadeira essência da produção, que é a de satisfazer as necessidades sociais, é subvertida pela finalidade de reprodução (e acumulação) do capital."

Do livro:
Pequeno Curso de Economia, Fernando Sequeira, Gorjão Duarte, Sérgio Ribeiro, Ed Avante!

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Sublinhados sobre o «Valor de Troca»

"O valor de troca é a relação quantitativa pela qual os valores de uso de diferente espécie se trocam entre si (...). A condição de possibilidade da troca é a de que mercadorias contenham um elemento comum que permita compará-las."

Esse elemento comum será a utilidade ou o trabalho que incorporam?

"Apesar das aparências, a utilidade não pode ser considerada como fonte de valor uma vez que, por definição, só se trocam mercadorias com utilidades diferentes. Ninguém troca um par de sapatos por um outro par de sapatos exactamente igual (...). Mas já se trocam sapatos contra pão, ou sal, e todas estas mercadorias se caracterizam por serem produtos do trabalho (concreto) humano."
"É a quantidade de trabalho socialmente necessário para se produzir uma mercadoria que lhe atribui o valor de troca".

O valor de uso forma uma unidade dialéctica com o valor de troca - acrescento, apartir do que li no livro.

Do livro:
Pequeno Curso de Economia, Fernando Sequeira, Gorjão Duarte, Sérgio Ribeiro, Ed Avante!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Sublinhados sobre o «Valor de Uso»

"O valor de uso de uma mercadoria é a aptidão desta de satisfazer uma necessidade social determinada, é a sua utilidade própria, específica, (...). Como os alimentos serem comestíveis e o carvão de ser combustível."

"Todas as mercadorias têm valor de uso, nem mercadorias seriam se não o tivessem, mas também há valores de uso fora do «universo» das mercadorias."

"Necessidades e valores de uso são inseparáveis."

Do livro:
Pequeno Curso de Economia, Fernando Sequeira, Gorjão Duarte, Sérgio Ribeiro, Ed Avante!