Se a forma tem aos olhos de hoje um certo grau de surrealismo e surpresa, é no conteúdo que está o verdadeiro desafio. Este Tempo de Antena do PCP em 1985 é demonstrativo de que o povo português foi avisado. Houve quem tivesse previsto e prevenido.
Têm sido dias complicados para se seguir. Alguns acontecimentos são especialmente impressionantes. Sobretudo o massacre feito em Odessa, Ucrânia. Com pouco tempo para ler, analisar e escrever sobre o caso, este post serve para deixar o registo do assunto na etiqueta Caderno de Apontamentos:
Apesar da falta de disponibilidade, há sempre lugar à reflexão. Neste blog havia uma etiqueta de nome Rumo ao Fascismo, mas esqueçam, definitivamente, por este e outros acontecimentos, ele já chegou.
Neste blog criou-se uma etiqueta chamada «Rumo ao Fascismo!». Ela não é, obviamente, um apelo a tal configuração política, antes pelo contrário, é um aviso, um alerta que a besta está viva.
Ligo a TV e não oiço revelarem a natureza política dos manifestantes mais activos nos últimos dias em Kiev. Então por que não o dizem? Eles são abertamente fascistas. O apoio por parte dos EUA e UE que recebem, promovendo que a Ucrânia se alie à União Europeia ao invés da Rússia, pôs um termo curioso na baila: euro-fascismo.
Não me interessa dissertar sobre o assunto por agora, mas a União Europeia é predominantemente de cariz fascista. É assim que a vejo. Logo o termo euro-fascismo parece-me muito ajustado.
Lembram-se da referência deste blog ao filme Novecento? Cada vez mais importante revê-lo. Sobretudo por este trecho que retiro do blog Manifesto 74:
O golpe está consumado. UE, EUA, FMI e NATO podem começar a armar a sua oligarquia e impedir que povo ucraniano saia da crise para o lado certo. Está em marcha a nova ordem: Svoboda. É assim que recomeça o fascismo, quando o capitalismo em falência se organiza para endurecer a repressão e a exploração. [link]
As próprias siglas no início da citação é uma consequência de o grande capital já estar organizado, mas... O sublinhado é meu. Fica o apontamento e as reticências para reflexão.
Nem um indivíduo age sempre de acordo com os seus interesses e necessidades. Nem um grupo o faz.
As necessidades objectivas das pessoas podem ser sentidas por elas, mas a sua forma para as satisfazer incompreendidas e agirem sob uma ilusão.
Por isso, cuidado quando se ouve alguém manifestando-se contra um governo tirano, falando em liberdade e luta popular. Gosto muito de o ouvir, mas quem o faz pode, mesmo com boas intenções, estar a promover um efeito contrário ao que necessita e lhe interessa. Inclusivamente, a fazer parte da ascensão do fascismo. É o que se sucede na Ucrânia. Foi o que assisti há momentos, através dum vídeo de uma manifestante ucraniana partilhado no facebook por uma amiga bem-intencionada.
No enorme grau de desinformação mediática existente acrescido da generalizada falta de cultura, não é de estranhar que se faça interpretações políticas erradas, nem acções cívicas desastrosas ao bem-estar da maioria de nós. Ninguém está a salvo. Nem na Ucrânia nem em Portugal.
O governo PSD/CDS de Coelho e Portas e companhia foi eleito por sufrágio universal. A maioria votou neles e deu um tiro nos pés. É só um exemplo.
É preciso agir. Entre os fascistas ucranianos e os partidos que sustentam o tirânico governo português existem pontos em comum. Além das afinidades ideológicas, um desses pontos é quem os financia: o grande capital.
Acabo de acrescentar mais um blog à lista da barra lateral "De olho nestes". Chama-se kontra korrente e tem como autor um autores dois dos bloggers mais interessantes que tenho lido, por isso, arrisco já esta recomendação. O primeiro post podia ir directo para a secção deste blog «Rumo ao Fascismo», e pode ser lido aqui.
edit: Não ia adivinhar que não era só o Bruno Carvalho (que me fazia ler o 5Dias) e era antes um colectivo.
Um organismo do Estado está a pedir aos seus trabalhadores com recibos
verdes que assinem um documento em como não têm “afinidades políticas”
com outros colaboradores e ex-funcionários desses mesmos serviços. (...) A declaração – que está a ser pedida aos colaboradores para efeitos de
renovação do contrato de trabalho –, menciona, além da questão
partidária, “interesses económicos” e “relações familiares”.
É mais um pequeno sinal do emergir de "outros tempos", perceba-se bem, sem eufemismo, sinal do emergir do fascismo. Transcrevo o seguinte a partir do blog o Companheiro Vasco para lembrar esses "outros tempos":
Em 21.05.1934 - É promulgada a lei que obriga os funcionários públicos a assinar a declaração anticomunista e que permite suspender ou demitir das suas funções, por simples decisão do Conselho de Ministros, os que não derem provas de aceitação dos princípios da Constituição fascista. Pela aplicação desta legislação foram demitidos milhares de funcionários públicos. (daqui)
Aqui no blog este é mais um post da série «Rumo ao Fascismo» onde vou compilando uma série de sinais fascizantes. Ontem o Bruno Nogueira fez uma excelente crónica que se encaixa perfeitamente com o tema. Aqui esta ela:
Se tivermos em conta os que os média dizem, sem filtros, sem desmontar a mensagem, pensaríamos que na Colômbia é assim: as FARC são os maus, e o governo colombiano com as ajuda dos EUA são os bons que travam uma guerra contra a droga.
Lembro, numa conversa com uma amiga, dizer que a guerrilha não surgiu do acaso, e que houve acontecimentos que promoveram a necessidade para o seu surgimento, e que... Ao que fui interrompido com um
- Mas o mal não justifica o mal.
Perante tal argumento, o meu cérebro teve um curto-circuito, e calei-me. Calei-me, mas temporariamente, após fazer reset, retorqui:
- Se alguém estivesse prestes a matar-te a tiro: ficarias sem agir, ou preferias salvares-te ao disparares antes de ser morta?
Ela percebeu onde queria chegar. Mas, desconhecendo o que terá provocado a origem das FARC e a sua manutenção até hoje, ficou confusa. O ponto de vista moralista já não lhe bastava para tomar posição sobre o assunto.
Basta saber o que aconteceu na década de 80 com o partido União Patriótica, criado como proposta política democrática pelas FARC, num processo de paz, e que chegou a obter a mais alta votação na história dos partidos de esquerda colombianos, com 5 senadores, 14 deputados, 351 vereadores e 23 prefeitos [1], para saber que o assunto é bem delicado.
Dois candidatos presidenciais, 7 congressistas, 13 deputados, 70
vereadores, 11 prefeitos, no total, 3.000 integrantes da UP foram
assassinados [2] por agentes do estado colombiano e grupos paramilitares ligados a narcotraficantes. Alguns sobreviventes do extermínio abandonaram o país. No dia 11 de Novembro de 1988,
quarenta militantes foram publicamente executados na praça central do
município de Segóvia, no distrito de Antioquia. [3].
Mas, a resposta mais exótica que tive, à pergunta acima, foi de alguém que dizia deixar-se nas mãos de Deus. Que podia morrer, mas que matar, jamais. Um milagre surgiria e... Acho que a resposta envolvia anjos, e exemplos de casos semelhantes em que algo fantástico acontecera... (!)
Ter moral é uma coisa, ser-se moralista é outra. Não matar, é um excelente Mandamento, mas ter o valor como absoluto não é boa ideia, é não perceber que tudo está sobre influências contraditórias, e que matar pode ser em determinados casos o melhor a fazer. Atenção: nunca matei, nem pretendo matar ninguém; nem bichinhos mato.
Agora sabe-se pelo Wikileaks que os assassinatos desde a década de 80 ascendem os 250 000. Mortos pelo Estado colombiano e paramilitares, apoiados pelos EUA, e com o conhecimento dos governos destes [ler aqui]. Irão os EUA fazer um embargo económico à Colômbia? Pois.
Quem em Portugal ficar surpreendido por estas horrorosas notícias, é porque tem estado restringido a obtenção de informação pelos média dos grandes grupos económicos. Dos médias nacionais, só pelo Avante! é que li notícias sobre os recentes achados de mais valas comuns na Colômbia. [aqui e aqui]
Levantar, directa ou indirectamente, o 5º Mandamento para criticar ou abdicar de apoiar quem luta pela via das armas é uma argumentação... pateta. Cada caso é um caso e, por vezes, abdicar das armas pode ser sinónimo de suicídio. Ficar passivo, ou escolher a via das rezas, perante um genocídio e perseguição política é acabar por estar do lado dos genocidas.
O assunto é complexo, e percebo que se hesite por se tomar parte por um dos lados do conflito armado. Mas a minha moral diz que se deve aprofundar todos os assuntos, não ceder a conclusões simplistas, moralistas, e ao aprofundar este assunto será que nos devemos declarar neutros?
Não há nos telegramas da wikileaks nenhuma referencia ao número de milagres ocorridos. Nisto como no resto, não há milagres, o melhor será dar férias aos joelhos e agir.
Ler os artigos de Miguel Urbano Rodrigues (MUR) é sempre um prazer, mas um prazer perturbado pela barbárie em reflexão nos seus textos. A sua mais recente publicação é - ler aqui - sobre a Lei da Autorização da Defesa Nacional (NDAA) promulgada recentemente nos EUA - assunto de que já aqui falei no blog - e ao SOPA.
Sobre o SOPA diz:
No dia 24 de Janeiro, o Senado vai votar um projecto, o SOPA, que autoriza a Secretaria de Justiça a criminalizar qualquer Web cujo conteúdo seja considerado ilegal ou perigoso pelo governo dos EUA. De acordo com o texto em debate, a simples colocação de um artigo numa rede social pode motivar a intervenção da Justiça de Washington.
(...)
A lei, teoricamente motivada pela necessidade de combater a pirataria digital, será de aplicação mundial. Por outras palavras, se uma Web europeia, asiática ou africana publicar algo que as autoridades norte-americanas considerem "perigoso" pode ser bloqueada nos EUA por decisão da Justiça de Obama.
O texto do MUR vai inteiramente na direcção da série deste blog «Rumo ao Fascismo». Sobre o NDAA ele escreve:
Afirma Obama que a "ameaça da Al Qaeda à Segurança da Pátria" justificou a iniciativa que elimina liberdades fundamentais. A partir de agora, qualquer cidadão sobre o qual pese a simples suspeita de ligações com "o terrorismo" pode ser preso por tempo ilimitado. E eventualmente submetido à tortura no âmbito de outra lei aprovada pelo Congresso.
Os sete maiores orçamentos militares em 2010 (SIPRI).
Claro que tudo isto não está desligado da crise económica e da necessidade e interesse do imperialismo norte-americano pela dominação planetária. Os meios de controle e opressão às populações aumenta com desenvolvimento da luta popular dentro do próprios EUA, luta que poderá importunar os negócios e as ambições militaristas da classe dirigente. Lembrar que esse país é responsáveis por cerca de 42% dos gastos militares no mundo e apoiado por uma NATO que atrela outros tantos orçamentos militares avultados.
Mas falta no artigo de MUR uma referência aos campos prisionais da FEMA que têm sido construídos nos EUA. Trata-se de um detalhe importante na compreensão dos perigos que vive o povo norte-americano. Sobre esses campos sugiro a (re)leitura deste meu post* e o visionamento dos vídeos ali linkdados. É um país caminhado para ser "um Estado
totalitário militar com traje civil".
Esta ênfase nos EUA é devido ao peso que tem esse país que, sendo ainda a maior potência mundial e capitalista, serve como montra do que nos pode esperar o futuro aqui na Europa, onde à nossa maneira vamos já em trilho parecido «Rumo ao Fascismo: ver aqui e aqui, por exemplo.
Como evitar este rumo? A resposta encontra-se na luta organizada e no socialismo, penso. Mas tu é que sabes.
Há poucas semanas foi aprovada nos EUA o National Defense Authorization Act (NDAA) de 2012. Tem sido noticiado como sendo uma nova Lei Marcial que permitirá que as forças militares prendam qualquer cidadão sem julgamento (!) e que possam mantê-lo preso mesmo após ser confirmada a sua inocência (!!!). [vídeo 1]
Nos últimos anos, campos prisionais da FEMA têm sido construídos pelos EUA [vídeo 2]. A Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA) tem como função principal coordenar as respostas a desastres que superem os recursos das autoridades locais e do estado, e para entrar em acção o governador do estado no qual o desastre ocorre deve declarar o estado de emergência. Desastres naturais como o Katrina, ou outros casos de excepção, como por exemplo em motins, a agência poderá ser chamada a agir. [3]
Penso que a opressão do Estado é tão ou mais violenta quanto a necessária para manter o status quo. O Estado burguês norte-americano parece estar a preparar-se para elevar a sua capacidade repressiva perante um previsível aumento da resistência popular. Agora com o NDAA aprovado, se o estado de emergência for accionado, qualquer acto de cidadania poderá ser motivo de prisão. Olhando para o EUA podemos precaver-nos quanto ao nosso futuro aqui em Portugal.