sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Isto não é um governo de incompetentes, porra!

Cito isto que é curto e grosso:
Anda para aí a circular a ideia de que isto é um governo de incompetentes, de gente que anda a fazer experiências connosco, que anda a brincar com a nossa vida, que se enganou, que comete erros, etc.

Não tenhamos ilusões: este governo está a cumprir rigorosamente o programa e o sonho molhado da direita e do grande poder económico para Portugal: transformar isto numa Singapura da Europa - exploração máxima, lucro máximo, salários de miséria e trabalho escravo.

Para cumprir esse programa, tem de ser um governo descartável: fazer o máximo de estragos enquanto não cair. Depois, virá um outro, com ares de grande sapiência e serenidade, continuar o trabalho, em condições mais favoráveis para o saque do país.

Se nos deixarmos enganar...
(citação atribuída a Pedro Penilo, mas não o confirmei)

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Mensagem para uns amigos

Adivinha-se para breve o fim deste governo PSD/CDS/troika. Está gasto! Sem surpresa, ficou podre bem mais depressa que o governo PS/troika anterior. Por isso, nota-se já que é hora das "abstenções violentas" (!) darem lugar a um verbalismo mais forte e até aparentemente radical. Dito de forma mais clara: ai virá o PS a mostrar-se como alternativa e ao lado da classe trabalhadora, quando ele é historicamente um traidor de classe e, concretamente, não passa de mero partido de alternância. Adivinho que estejam a dar atenção ao termo traidor, mas reforço o outro: alternância. Alternância (e não alternativa).

Tu dizes que se aproxima o "circo eleitoralista", o chamado "jogo partidário", e aproxima-se sim. E porque o PCP participa no parlamento e nas eleições, ao toma-lo como igual a outros, simplesmente, inconscientemente, ofendes aqueles que estão inseridos na luta proletária e se organizam em partido. Naturalmente, eles usam as eleições e o parlamento como frente de luta, afinal não se deve deixar nenhuma frente de luta sem resistência, mas essa luta está longe de se resumir a isso.

Caros amigos, sei que a maioria de vocês é, cada um à sua maneira, anti-comunista. Uns são abertamente, e outros, a maioria, não tem consciência de o ser. Mas agora que muitos de vós sentem, finalmente, a necessidade de agir politicamente, gostaria de vos deixar claro isto:
É com os comunistas que está a mais assertiva resposta à agressão de classe a que estamos sujeitos, quer gostes quer não.

Lutar contra a classe dominante e construir uma sociedade adequada aos nossos interesses é muitíssimo complicado, e ignorar o legado de mais de 90 anos do Partido Comunista Português é simplesmente estúpido. Ignorar a CGTP, também. Acho que vocês percebem porquê, ou preciso explicar? Assim sendo, então vão-se mentalizando...

Dirão alguns que é preciso outras formas de luta. Creio que está certo, mas acho também que com o tempo qualquer organização ao maturar a sua luta - se entretanto não desaparecer ou desviar-se dos objetivos - irá ficar cada vez mais parecido com o que é o PCP. É uma questão de tempo, de décadas.

É assim que hoje penso, mas nem sempre foi assim. Perdi os preconceitos anti-comunistas e, algo contrariado, até me tornei em um comucoiso, pois, por necessidade tinha e tenho de dar prioridade à razão. Tudo isto é algo que demora a aprender, a absorver e a fazer-nos agir mais assertivamente na transformação da sociedade. Algo que é cada vez mais urgente. Não se pode deixar tal tarefa para os outros.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Discurso de Jerónimo de Sousa na Festa do Avante!

É longo o discurso. Está lá tudo, ou quase tudo. A situação não se resolve com superficialidade e seus truncados excertos televisivos do discurso. Aqui está uma fantástica intervenção de Jerónimo de Sousa... É com os comunistas que está a mais assertiva resposta à agressão de classe a que estamos sujeitos, quer gostes quer não. Agora, em modo de escuta e reflexão:


Gostaria de destacar vários trechos, mas opto por este:

"Há quem diga que, perante o fracasso desta política de desastre nacional, estamos perante aprendizes de feiticeiro, vítimas do ricochete do seu próprio feitiço.

Puro engano!

Eles não são principiantes! Eles são mestres na arte da exploração dos trabalhadores e dos povos, para servir os senhores do dinheiro. Na sua maioria cursaram e fizeram tirocínio nas escolas do pensamento neoliberal, nos alcatifados da União Europeia e nas mais afamadas administrações dos grupos económicos e das grandes instituições financeiras, cujas portas estão sempre abertas a um regresso, depois de uma “sacrificada comissão de serviço público”. Eles são peritos na arte da mistificação. Eles nunca se enganam na receita e o feitiço nunca se vira contra eles, nem contra os interesses que servem, mas contra os trabalhadores, contra o povo."
Assim, evidenciado o cariz de classe das intenções daqueles que nos governam (como podemos ir comprovando aqui), o Vasco fez-me notar que o discurso foi também um "discurso da esperança. Um discurso que diz, sim é possível uma política diferente. Sim é possível um Portugal digno. Sim é possível viver noutro modelo, num modelo que se centre nas pessoas e nas suas necessidades" (vejamos aqui).

Reabertura do estaminé

Daqui fala o narrador deste blog.

O autor do blog escreveu vários posts com o propósito de retomar aqui as suas publicações, mas foram todos parar aos "rascunhos". São cada vez mais os textos por publicar à espera do momento ideal, e outros, esquecidos provavelmente para sempre. Ele é parvo!

Por isso, aqui reabro eu uma nova série após as férias de Agosto, senão o autor do blog nunca mais publica nada e transformar-se-á ele próprio num rascunho engavetado para todo o sempre.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Tó Zé - o Merceeiro.

Todos sabiam. O Tó Zé "Merceeiro" dava valentes sovas na mulher. Distribuía o seu "amor" à paulada. E, uma vez, usou a carrinha. Ele não era bonito, mas era simpático para a freguesia. Certo dia, a mulher contraiu o divórcio mesmo sem receita do médico. Dizem que se enrolou com o pároco. Tó Zé - o merceeiro - virou, na comunidade, de besta a coitadinho. Um ano depois pendurou-se pelo pescoço com uma corda ao estendal da roupa e ficou metamorfoseado em pêndulo. Nesse dia, do lado oposto da rua, o Café Central encheu. Todos o testemunharam: a corda matou-o!

Mas o estranho veio depois. Morto, a vizinhança não se permitia a lembrar o talento com que Tó Zé "Merceeiro" transformou com a carrinha a mulher em um projéctil. Já só se podiam lembrar que o merceeiro vendia mais barato. Era um bom homem - repetiam. O divórcio matou-o - escreveram no jornal da freguesia.

No funeral de Tó Zé apareceram os amigos dos copos, as beatas que não conseguiram a atenção desejada do pároco, a ex-mulher para espanto de muitos, e um desconhecido. Por impertinência de quem se julga importante, o desconhecido quis dizer umas palavras de homenagem, subiu a um escadote e disse que o defunto foi "uma personalidade que teve um percurso cívico extraordinário" e é "uma perda muito grande para Portugal". Bateram palmas!, excepto a ex-mulher. Mentira! -  gritou ela -, acrescentou que o desconhecido não conhecia sequer o morto, que se teria enganado, e ido mentir para o funeral errado. Os outros censuravam-na, alegando que assim desrespeitava o morto.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Cultura

A ideia de que a «cultura» é coisa para letrados, ricos e urbanos diletantes entra, provavelmente, no rol das piores imbecilidades. Cultura é tudo o que nos toca, promove, organiza e perpetua. As histórias contadas ao serão e partilhadas em momentos familiares são cultura. Os episódios de intriga de aldeia que nos ensinam, espicaçam a curiosidade e relembram (e revivem) os que já se foram, é um factor de enriquecimento e de cultura. A memória é cultura. Há formas organizadas de gerir a cultura – desde os museus às exposições – mas a verdadeira aquisição de cultural não se faz nas reuniões alcatifadas da sociedade ou nas salas de concerto da capital. Faz-se no dia-a-dia. Música é cultura. Teatro é cultura. Obras de artesãos são cultura. Escritos são cultura. Tradição é cultura.» 

Mário Cordeiro, Pediatra.

domingo, 15 de julho de 2012

Meia-luz



E foi com esta que me rendi a esta banda... Uma fina textura de som perfeita para apreciar a beleza obscurecida entre as cores pardas de uma longa noite. Sim, és... também à meia-luz.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Fulanização da Política

Fulanização - acto de identificar uma pessoa, mas cuja identificação não interessa, ou não é fundamental, para a questão.

É um erro comum e promovido nos assuntos políticos. Resulta na ilusão de se pensar que as políticas são consequência de um indivíduo, e não de uma estrutura e dinâmica social concreta.

Mesmo sem Relvas, a desgraça continuará. Tal como sem Sócrates, mesmo sem Coelho, a desgraça continuará. Assim será, enquanto a dinâmica social que promove tais políticas e (seus) indivíduos não mudar. Em suma, o que é preciso mudar mesmo são as políticas. As políticas! Essa é que é a questão: as políticas.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Sobre a União Soviética (URSS)

Isto é sobre a União Soviética (URSS). Tendo em conta a nossa situação política e social actual, são dados um tanto perturbadores! Aqui vai:
  • A União Soviética foi o primeiro país do mundo a instaurar a jornada de trabalho de 8 horas (a partir de 1956 foram implementados os dias de trabalho de 7 horas e de 6 horas, bem como a semana de cinco dias).
  • O primeiro a assegurar o direito do homem a um trabalho permanente e fixo.
  • O primeiro a liquidar o desemprego (1930) e a assegurar o pleno emprego. 
  • O primeiro a estabelecer um ensino gratuito.
  • O primeiro a fornecer cuidados de saúde gratuitos e a assistência social. 
  • O primeiro país do mundo a construir uma habitação de baixo preço e a garantir os direitos políticos e sociais fundamentais para a maioria da população.*
* retirado deste artigo de António Vilarigues no Avante!.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Sr. Mike Gramas - o Gangster

Chama-se Relvas, mas se não fosse ele seria o Sr. Gramas. Fulanizar não é a prática mais assertiva. O mais importante não é compreender que ele é um gangster, mas antes, o que faz com que somente vigaristas ou suas marionetas subam ao poder executivo do Estado; e também, como mudar essa situação.

E então como se muda? Como garantir que a coisa pública está em boas mãos?
Penso que a resposta a isso está na chamada pressão social.

Pode não parecer, mas relacionado com isso está este trecho*:
Em que momento um indivíduo se transforma em cidadão? Quando a sua personalidade estabelece relações com a política, e na política actua, a transforma e a molda segundo as urgências e as necessidades da comunidade.
Como diz um amigo meu em relação a um péssimo jogador que passou pelo Benfica:
- A culpa não é do jogador, mas do treinador que é quem o põe a jogar.

* retirado do artigo de hoje de Baptista-Bastos no DN.

terça-feira, 3 de julho de 2012

O rapaz que quer vir a ser mineiro

O rapaz que quer vir a ser mineiro.
Novembro de 1939.


Dizia na época a legenda da fotografia:
O seu pai e seu avô eram mineiros. É sua ambição vir a ser um mineiro, também. Ele não lê as estatísticas do desemprego do Ministério do Trabalho. Ele não sabe quantas minas foram fechadas. Ele nem sabe sequer que, das 19 casas na Greenhough Row, onde ele vive, às vezes, somente quatro famílias têm trabalho.
(fonte)

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Howl (2010) - 6

É interessante como o filme está montado em volta do poema Uivo (Howl) de Allen Ginsberg. Sem que seja um filme que me tenha entusiasmando muito, o poema vai ganhando intensidade durante a obra, e por fim, o filme acaba por ser inclusivamente inspirador.

Apesar de saber que nos EUA casos de censura houve pelo crime de obscenidade (!), não me deixou de surpreender o julgamento, cujos argumentos e provas (!) eram baseados na necessidade e pertinência do uso pelo artista de determinados termos termos e imagens. Metem-me um certo nojo estas bestas pudicas que tentam negar-se na sua própria natureza humana e se amedrontam perante o seu reflexo na arte... lascívia, lascívia, lascívia, é o "pecado" destes ascetas que fica por libertar num uivo.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Eu é mais bolos


A melhor coisa dos jogos da selecção nacional numa fase final de um campeonato são os bolos. Essa invenção que uma santa pessoa teve de fazer um bolo de chocolate para ajudar a selecção, simplesmente deu sentido a este campeonato da Europa. Lamentavelmente, este próximo domingo, não haverá bolo.

O bolo, tenho em conta o resultado da eliminatória, estava com erro de fabrico. A tese é que contra a selecção de Espanha devia-se ter usado chocolate branco, e isso não foi feito: a confecção da sorte foi descorada! O que para mim, faz todo o sentido. Tudo isto faz sentido, para mim. Faz o sentido todinho.

No final, já a selecção se tinha escalamocado contra o poste, planeou-se novas formas de manter a cabeça distraída das más notícias. Sem o "desporto rei" nas conversas, sobrará o assunto daquilo que nos vem sobrando. Era assim confessado o medo perante a vertigem da crua realidade que teima a não melhorar só por si. Fiquei sempre calado. Tenho andado calado. Mas, devia ter falado e sugerido um bolo por cada novo desempregado na nossa rede de amigos.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Capitalismo = Pensamento único


(clicar na imagem para ler os títulos)
Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento. Mas ninguém chama violentas às margens que o aprisionam.
Bertold Brecht

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Os políticos é que são os culpados, eu não.

Além de corruptos, oiço frequentemente dizer-se que "os políticos são todos uns mentirosos". Mas geralmente quem o diz continua a dar ênfase ao que eles falam e não ao que fazem!

Quando digo "ao que fazem", refiro-me, por exemplo, em procurarem saber quando e porquê se levantaram ou se deixaram ficar sentados durante as votações na Assembleia da República.

Após esse exercício, cairia a generalização "são todos". As pessoas bem-intencionadas dariam então a atenção devida aos que não são mentirosos, nem corruptos; quem sabe até, votariam neles. Seria um exercício de quem se digna a ser cidadão. Afinal, cidadão é um cargo político.

Assim sendo, será que os tais cidadãos estão a confessar que "são todos uns mentirosos"? Isso é - juntamente com o abdicar do exercício de cidadania - também um tipo de corrupção.