quarta-feira, 31 de outubro de 2012

O que leva à falta de habitação ou a habitações insalubres?

Parte da capa do DN do dia 25/10/2012
(...) não pode existir sem falta de habitação uma sociedade em que a grande massa trabalhadora depende exclusivamente de um salário, ou seja, da soma de meios de vida necessária à sua existência e reprodução; na qual novos melhoramentos da maquinaria, etc, deixam continuamente sem trabalho massas de operários; na qual violentas oscilações industriais, que regularmente retornam, condicionam, por um lado, a existência de um numeroso exército de reserva de operários desocupados e, por outro lado, empurram temporariamente para a rua, sem trabalho, a grande massa dos operários; (...). Numa sociedade assim, a falta de habitação não é nenhum acaso, é uma instituição necessária e, juntamente com as suas repercussões sobre a saúde, etc, só poderá ser eliminada quando toda a ordem social de que resulta for revolucionada pela base. (daqui)
(Engels, em Para a Questão da Habitação, 1872/73)
Adenda:

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Relatório fidedigno conclui: Portugal já produz a Bomba!

No seguimento das nossas irrefutáveis provas da existência de um campo de concentração na Panasqueira, o Comité dos Direitos Humanos no Portugal (CDHnoP) disponibiliza finalmente as evidências de que Portugal está prestes a conseguir a sua primeira Bomba Antónia. Um cientista dissidente do regime garantiu que na Central de Sines já está concluído o processo que permite o "Excelentíssimo Chefe" de Estado da República Portuguesa obter eucalipto empobrecido.

Disto o jornal Expresso não inventa (ou inventa?), e recusa-se a publicar, apesar de o "Excelentíssimo Chefe" ameaçar mais que uma vez que vai falar embora diga sempre que já disse tudo. Há uns anos demonstrou publicamente o deleite perante a tortura de bovinos açorianos através de robôs agarrados às suas tetas. Sádico! Agora, que este delirante "Chefe de Estado" possui eucalipto empobrecido, teme-se por todas as vacas do mundo. A ameaça de uma guerra antónia paira sobre a humanidade.

Aqui estão as temidas provas que o jornal Expresso ainda não divulgou por comprometimento com o regime: 

(clique numa imagem para as ampliar)



Apelamos à comunidade internacional que imponha sanções. Libertem Portugal à bomba deste sinistro "Excelentíssimo Chefe" tal como fizeram no Iraque e na Líbia. Oh NATO, por favor, liberte as nossas tetas destes encavacados robôs.

sábado, 27 de outubro de 2012

Campo de Concentração da Panasqueira

(clicar para ampliar)
De fonte fidedigna:
Imagens de satélite impedem o regime de negar a existência de campos de concentração.

Os prisioneiros, "condenados" a prisão perpétua, não têm qualquer contacto com o exterior. Testemunhos de antigos guardas indicaram que os prisioneiros, alguns dos quais crianças, eram utilizados como cobaias para experiências médicas e militares. Já nem podem jogar à bola.

O regime prepara um congresso para breve. Decidirão qual a empresa de distribuição que deverá ser escolhida para seleccionar os mais gordos e produzir manteiga.

Alguns dirão que "lá começaram eles com a diabolização"! No entanto, o jornal Expresso sabe que a comunidade internacional vai na ONU defender em linha para meter as vítimas em fora-de-jogo.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Genesis - Ripples (Live at the Lyceum, 1980)

Esta é a par com outras duas ou três bandas de rock a minha preferida. Os Genesis eram, sobretudo na fase em tinham como vocalista Peter Gabriel, absolutamente incríveis. Já outrora houve uma referência a eles neste blog (aqui). Para mim, a melhor banda de progressivo.

Esta música surge já na fase pós Peter Gabriel. É algo absolutamente mágico. O interlúdio instrumental, entre dois dos refrões cantados pelo Phil Collins, é algo maravilho e de assinalar.

Parece tudo bater certo, ficar em harmonia, em uma palavra: beleza.

domingo, 21 de outubro de 2012

Da Islândia sobre a Islândia (nova versão)

Apaguei o post «Da Islândia sobre a Islândia» que publiquei na sexta-feira. Ele continha uma resposta dada por uma pessoa que vive na Islândia. Apaguei, porque a autorização que tinha para divulgar o texto que me foi enviado, afinal, era somente para o fazer por mail e não para publicar aqui. Se alguém o quiser ler, peça, que lhe enviarei o texto.

O texto foi uma resposta ao vídeo «Aconteceu na Islândia», e dá para resumi-lo nos seguintes pontos:
  • Não é à primeira revolta, pressão, ou manifestação popular que se faz cair um governo no mundo.
  • A reescrita da nova constituição será corrigida e aprovada pelo parlamento, ou seja, no final serão os deputados que a vão moldar e fazer aprovar.
  • Os governantes do conservador Partido da Independência, que estavam no poder à mais de 14 anos (sozinhos ou coligados) e comprometidos com os banqueiros, estão novamente a subir nas intenções de votos. Tudo leva a crer que ganharão as próximas eleições, regressando todos, de novo para o poleiro.
  • Aliás, diga-se que o ex-primeiro ministro e director do banco da Islândia na altura do colapso económico, Davíð Oddsson, é o director do maior jornal do país. Ele redesenhou varias vezes a lei que permitiu aos bancos actuar da forma que actuaram. Nunca foi incomodado por isso, e foi premiado em 2009 com o cargo de director do maior jornal do país.
  • Como era de esperar, o julgamento do Primeiro Ministro, deu recentemente em nada. E esse julgamento só foi adiante pois era também politico. Assim, julgou-se e ele ficou em liberdade, agradando a todas as partes. 
  • Até hoje, não existe um alto implicado da bancarrota da Islândia preso, e não existe fuga massificada para o exterior dos implicados da bancarrota. E assim vai ser com todos e já nem os islandeses tem esperança de ver algum responsável implicado na bancarrota de um dia pagar por isso.
A mensagem não era muito optimista e dava a entender que no exterior se fantasiava um pouco a realidade islandesa terminando a dizer que "o jardim dos outros é sempre mais verde que o nosso". A mim, parece-me, pelo que conheço da Islândia, que aquele país é realmente um bocado para o verde. Talvez seja um erro de percepção.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Cerco a São Bento (12 de Novembro de 1975)


Isto é um excerto retirado de Scenes from the Class Struggle in Portugal de Robert Kramer. Pode ser visto na integra aqui.

Para ler mais sobre o assunto, aqui.

domingo, 14 de outubro de 2012

kontra korrente

Acabo de acrescentar mais um blog à lista da barra lateral "De olho nestes". Chama-se kontra korrente e tem como autor um autores dois dos bloggers mais interessantes que tenho lido, por isso, arrisco já esta recomendação. O primeiro post podia ir directo para a secção deste blog «Rumo ao Fascismo», e pode ser lido aqui.

edit:
Não ia adivinhar que não era só o Bruno Carvalho (que me fazia ler o 5Dias) e era antes um colectivo.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Felicitaciones... Hugo, Venezuela, América Latina...

Chavez foi reeleito. Gostaria de escrever mais sobre o assunto. O processo político que há anos ocorre na Venezuela tem para mim um significado pessoal importantes. Foi ao tentar compreende-lo, que percebi a descomunal distância entre o que dizia os média que via e a realidade. Isso, na altura, foi um choque; também uma ruptura da maneira como olhava para o mundo. Em mim, ocorreu um processo de consciencialização política sem precedentes e com resultados improváveis à priori. Portanto, tinha que assinalar este acontecimento e mostrar a minha satisfação.



A diabolização mediática diga o que disser. Não precisamos de pensar como a TV. Não é difícil aceder a informações sobre a Venezuela e tentar compreender o processo político que ali ocorre nos últimos anos. Esta é uma excelente notícia para a Venezuela, a América Latina, e para o mundo.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Estou a pensar ir para puta

Não publiquei nada sobre a manifestação de sábado, nem ia publicar nada nestes dias, pois tenho que estudar para um teste. Mas, agora, vi uma proposta de emprego que muitos de vós estarão interessados e percebi que era bem mais gratificante escrever isto do que estudar. De certeza que um de vós estará interessado em tal oportunidade de uma vida. Vejamos:

Estão a contratar um Engenheiro Civil com licenciatura ou mestrado integrado (portanto, 5 anos de formação), no Técnico (IST) ou na NOVA; com experiência; com bom domínio do inglês e, também, do francês (falado, escrito e oral). Isto, para um trabalho a full-time, das 9h às 18h.

Em troca, oferecem o ordenado de 485€, mais um miminho: um seguro de saúde. Mas há mais boas notícias: o contrato é a termo e por 6 meses, pelo qual, depois, assim que desempregado, poderás ver a coisa como uma oportunidade na tua vida.

Mas é como diz o ditado alentejano: "Antes assim do qui piori". Aqui!

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Solidariedade proletária

Ao fazermos da manifestação de dia 29 bem sucedida, não estamos apenas a ajudar-nos como trabalhadores portugueses, mas também a ajudar todos os outros. Pode não ser óbvio, mas isto anda tudo ligado.

Em Portugal, desde 17 de Setembro que a maioria dos portos portugueses está paralisada  devido à greve dos pilotos de barra, à paralisação dos estivadores e dos  trabalhadores das administrações portuárias:

On Tuesday a one-hour strike in solidarity with the Portuguese dockers brought all production in the port of Gothenburg to a standstill. Solidarity strikes between 8.00 and 9.00 AM were held all over Sweden and in seven other European countries to support the striking dockers in Portugal. Today's international industrial action, coordinated by the International Dockworkers' Council, coincided with the opening of the EU-commission's meeting in Brussels concerning the future of the port industry.

From Gothenburg and other Swedish ports, the message was clear: We stand with our Portuguese collegues in their important struggle for decent working conditions and respect for health and safety.

Foto: Malin Ulfhager/Sveriges Radio
  Adenda:

Porto de Bilbau
Isto está tudo ligado.

De fazer lembrar a famosa frase:

"Proletários de todo os países, uni-vos!"

 

sábado, 22 de setembro de 2012

A Queda da Casa de Usher - Edgar Allan Poe

Obscuro. É o que tenho a dizer.

Que tétrica situação em que um conto aparentemente enfadonho e com uma negritude batida, gasta, abusada por filmes e séries duvidosas, acobarda as ondas, afugenta o sol, e num raio distante da vista as mamas desaparecem! Aos pares! Na areia afunda-se os pés.

Obscuro. Não é bem o que tenho a dizer.

Que tétrica situação em que um conto inicialmente enfadonho entranha subrepticiamente na mente de sonhos acordados e os torna húmidos de suor. Pudesse eu ir para a cama húmido ou houvesse alguém no seio dela húmida! A areia molha os pés; aos pares.

Que tétrica situação! Era o que tinha a dizer.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Para a Questão da Habitação


Há algum tempo que um livro não me prendia tanto o interesse. Talvez por me interessar por Urbanismo, aquela que deverá ser a área mais interligada com as ciências sociais na minha formação académica.

Penso escrever mais posts acerca deste livro, o primeiro texto publiquei-o agora no Leitura Capital.

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Para a Questão da Habitação, na integra,
em PDF, aqui.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

José Gomes Ferreira, hoje no Jornal Nacional

José Gomes Ferreira (JGF) é um economista/jornalista/opinador completamente restrito ao pensamento dominante. Apesar disso, as palas ideológicas que tem nos olhos é de certa forma parcialmente compensado pela atenção, criatividade, e seriedade com que analisa o panorama financeiro e económico para os canais televisivos do grupo Impresa SA. É dos poucos que ainda respeito e me prendem a atenção entre as dezenas de caras fixas dos canais e jornais do Balsemão.

Hoje JGF teve uma intervenção interessante no Jornal da Tarde, mas vejamos alguns pontos:


  1. Após lembrar que as mudanças no TSU tiram dinheiro aos trabalhadores para dar ao capital, revela que isso dará um "balão de oxigénio" a muitas grandes empresas que aproveitarão para pagar as suas dívidas à Banca. É então que JFG, no minuto 1:44, revela a sua desconfiança de que o governo não quer resolver os problemas do país com equilíbrio mas que há uma aproximação a quem se "portou mal" (leia-se, a Banca) [sic]. Afinal, era a Banca que ganharia com tudo isto.

    Ora, não fossem as suas palas ideológicas talvez não colocasse nenhum governo, ou Estado, acima das classes sociais, como que de um árbitro que equilibra e harmoniza as relações entre capital e trabalho. Ora, isso nunca acontece. Pelo que oiço de JFG, ele não ignora a existência de classes sociais, mas ignora o conceito de luta de classes, e talvez por isso, ele não compreende que o governo é fruto duma relação de forças entre as classes, e sendo dominante o capital (sobretudo financeiro), então, não deveria surpreender ninguém que o governo pratique sobretudo políticas do interesse do "mal comportado" capital financeiro (a Banca).
    .
  2. No final, JGF mostra que o ministro do CDS Pedro Mota Soares é incoerente (palavra e eufemismo da minha responsabilidade). Mas, JGF prefere escolher um vernáculo bem mais duro, e optou por dizer que "isto é mais que distracção, isto é uma outra coisa mais feia..." - atenção, reticências!!!!! Pensei que ia chamar os bois pelos nomes, mas desiludi-me tremendamente quando rematou com um mero «incompetente» (!) (palavra e eufemismo da responsabilidade de JGF).

    Quanto a este mito da incompetência, escrevi o post anterior e mais nada pretendo acrescentar de momento: Isto não é um governo de incompetentes, porra!.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Isto não é um governo de incompetentes, porra!

Cito isto que é curto e grosso:
Anda para aí a circular a ideia de que isto é um governo de incompetentes, de gente que anda a fazer experiências connosco, que anda a brincar com a nossa vida, que se enganou, que comete erros, etc.

Não tenhamos ilusões: este governo está a cumprir rigorosamente o programa e o sonho molhado da direita e do grande poder económico para Portugal: transformar isto numa Singapura da Europa - exploração máxima, lucro máximo, salários de miséria e trabalho escravo.

Para cumprir esse programa, tem de ser um governo descartável: fazer o máximo de estragos enquanto não cair. Depois, virá um outro, com ares de grande sapiência e serenidade, continuar o trabalho, em condições mais favoráveis para o saque do país.

Se nos deixarmos enganar...
(citação atribuída a Pedro Penilo, mas não o confirmei)

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Mensagem para uns amigos

Adivinha-se para breve o fim deste governo PSD/CDS/troika. Está gasto! Sem surpresa, ficou podre bem mais depressa que o governo PS/troika anterior. Por isso, nota-se já que é hora das "abstenções violentas" (!) darem lugar a um verbalismo mais forte e até aparentemente radical. Dito de forma mais clara: ai virá o PS a mostrar-se como alternativa e ao lado da classe trabalhadora, quando ele é historicamente um traidor de classe e, concretamente, não passa de mero partido de alternância. Adivinho que estejam a dar atenção ao termo traidor, mas reforço o outro: alternância. Alternância (e não alternativa).

Tu dizes que se aproxima o "circo eleitoralista", o chamado "jogo partidário", e aproxima-se sim. E porque o PCP participa no parlamento e nas eleições, ao toma-lo como igual a outros, simplesmente, inconscientemente, ofendes aqueles que estão inseridos na luta proletária e se organizam em partido. Naturalmente, eles usam as eleições e o parlamento como frente de luta, afinal não se deve deixar nenhuma frente de luta sem resistência, mas essa luta está longe de se resumir a isso.

Caros amigos, sei que a maioria de vocês é, cada um à sua maneira, anti-comunista. Uns são abertamente, e outros, a maioria, não tem consciência de o ser. Mas agora que muitos de vós sentem, finalmente, a necessidade de agir politicamente, gostaria de vos deixar claro isto:
É com os comunistas que está a mais assertiva resposta à agressão de classe a que estamos sujeitos, quer gostes quer não.

Lutar contra a classe dominante e construir uma sociedade adequada aos nossos interesses é muitíssimo complicado, e ignorar o legado de mais de 90 anos do Partido Comunista Português é simplesmente estúpido. Ignorar a CGTP, também. Acho que vocês percebem porquê, ou preciso explicar? Assim sendo, então vão-se mentalizando...

Dirão alguns que é preciso outras formas de luta. Creio que está certo, mas acho também que com o tempo qualquer organização ao maturar a sua luta - se entretanto não desaparecer ou desviar-se dos objetivos - irá ficar cada vez mais parecido com o que é o PCP. É uma questão de tempo, de décadas.

É assim que hoje penso, mas nem sempre foi assim. Perdi os preconceitos anti-comunistas e, algo contrariado, até me tornei em um comucoiso, pois, por necessidade tinha e tenho de dar prioridade à razão. Tudo isto é algo que demora a aprender, a absorver e a fazer-nos agir mais assertivamente na transformação da sociedade. Algo que é cada vez mais urgente. Não se pode deixar tal tarefa para os outros.