domingo, 6 de abril de 2014

Jorge Jesus e a Linguagem

Jesus pode não saber falar, mas apesar disso, pelo que diz, demonstra que sabe bem daquilo que fala. Prova disso é, por exemplo, como citou correctamente Lenine [1]:
«A prática é o critério da verdade»
Foi uma afirmação epistemológica correctamente aplicada por Jorge Jesus numa conferência de imprensa. Ele falou-a porque compreende-a, e ao fazê-lo, demonstrou mais uma vez que leva a relação dialéctica entre teoria e prática muito a sério. Outro exemplo é como elabora as rotinas de treino durante a semana, ao criar e aplicar exercícios que predominantemente simulam situações de jogo... [2]

A Linguagem é uma ferramenta importantíssima para desenvolver e estruturar o pensamento. Falar bem é reflexo de inteligência; contudo, o que não falta por aí são bem-falantes que são mal-pensantes. Jorge Jesus consegue a proeza inversa. Estou convencido disso.

Isto surgiu-me agora a propósito disto.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Sobre a Ditadura do Proletariado... e a outra

Porque toda a gente defende uma ditadura, publico esta citação para direccionar quem por aqui me vai lendo para um texto que escrevi no no blog Da Peste à Centelha. Aqui:

segunda-feira, 17 de março de 2014

Cosmos em Doze Compassos

Hoje de manhã revi o primeiro episódio de Cosmos [1], de Carl Sagan, e agora à noite o primeiro da nova versão.  Como ambas as versões têm no primeiro episódio o mesmo guia geral, perdi parte da emoção que teria caso o tivesse visto sem rever a versão de Sagan. De manhã fui esmagado pela mensagem geral do episódio: "somos feitos de poeira estrelar" [we are made of star stuff]. Demasiado pequeninos no tempo e no espaço.

Mas se pequeninos nos sentimos por saber que nada mais somos que uns grãos de poeira estrelar, pessoalmente, ao ver a sonda Voyage 1 com o melhor que a espécie humana produziu simbolizada ao som dos Blues, comovente, senti um peculiar orgulho em ser um dos biliões de primatas pertencentes à espécie humana. São doze compassos de música enviados para o imenso espaço que demonstram como somos poeira estrelar bem interessante.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Rumble Fish (1983)

Absurdo. Tão inútil! Caminhar sob pulsões biológicas, somente. Prazer? No quê? Simplesmente caminhar a partir de pulsões biológicas. Haverá outras? Para quê?

E quando surge cor? Fugaz.

(Filme na íntegra aqui)

segunda-feira, 3 de março de 2014

Folheto: «Não à Moeda Única! Sim ao Referendo!» (1997)

Este folheto foi criado e distribuído pelo PCP em 1997. Transcrevo os quatro pontos chaves deste lado da «cassete»:
Clique na imagem para ler o folheto
1. PORTUGAL CADA VEZ MAIS DISTANTE DOS PAÍSES RICOS.

2. MAIS DESEMPREGO, MAIS GOLPES NOS DIREITOS SOCIAIS, BAIXOS SALÁRIOS, FALÊNCIAS.

3. SACRIFÍCIOS PARA LÁ ENTRAR E SACRIFÍCIOS AINDA MAIORES PARA LÁ CONTINUAR.

4. SOBERANIA NACIONAL REDUZIDA A MUITO POUCO, PORTUGAL A SER GOVERNADO DO ESTRANGEIRO.


A merda é a «cassete» ter estado correcta este tempo todo e nós termos entrado no Euro. Como é que algo tão importante não foi referendado?!

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Manipulação Mediática: Extraordinário e/ou Ordinário

A manipulação mediática é quase omnipresente. A "verdade" propagada é absorvida como verdade, inclusivamente pelos que se dizem cépticos. Não basta ser céptico perante o que se vê e ouve, é preciso aprender a desmanipular a manipulação. Além disso, é ainda preciso procurar as outras versões da história e cruzar informações.

Há pessoas que não aprofundaram ainda este assunto. Estranhando elas o grau e os mecanismos da manipulação existente, frequentemente, subjugam-na a uma suposta «teoria de conspiração» ou à «mania da perseguição» de quem sabe e ousa dizer a verdade. A ignorância é atrevida! Este atrevimento apazigua-lhes o espírito perante desconcertante dimensão da censura e manipulação.

Foi o que me aconteceu ontem. Perante uma referência de como é grosseira a forma como o PCP e quase toda a luta popular é afastada das notícias, manipulada e a mensagem corrompida - havendo excepções momentâneas -, responderam-me que os comunistas tinham a mania da perseguição. Pois! Para ele a dimensão da censura e manipulação é ainda um acontecimento extraordinário, enquanto para mim, que já maturei o assunto, tornou-se um acontecimento ordinário.

Esta menorização do desconhecido a «teoria da conspiração» ou a «mania da perseguição» costuma ser uma tremenda falta de educação de quem o faz, numa forma eficaz de proteger o seu ego da própria ignorância. Ontem não foi o caso, simplesmente porque foi dito por alguém que tem coragem suficiente para se desafiar, aprender, e assim transformar o que no seu espírito é ainda extraordinário em ordinário.

Mais leituras:
- Goebbels ao pé disto é um amador, neste blog;
- A formação da mentalidade submissa, por Vicente Romano.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Kiev, Ucrânia, Europa, Fevereiro de 2014...


24 de Fevereiro de 2014
Início do Século XXI
Neste blog criou-se uma etiqueta chamada «Rumo ao Fascismo!». Ela não é, obviamente, um apelo a tal configuração política, antes pelo contrário, é um aviso, um alerta que a besta está viva.

Ligo a TV e não oiço revelarem a natureza política dos manifestantes mais activos nos últimos dias em Kiev. Então por que não o dizem? Eles são abertamente fascistas. O apoio por parte dos EUA e UE que recebem, promovendo que a Ucrânia se alie à União Europeia ao invés da Rússia, pôs um termo curioso na baila: euro-fascismo.

Não me interessa dissertar sobre o assunto por agora, mas a União Europeia é predominantemente de cariz fascista. É assim que a vejo. Logo o termo euro-fascismo parece-me muito ajustado.

Lembram-se da referência deste blog ao filme Novecento? Cada vez mais importante revê-lo. Sobretudo por este trecho que retiro do blog Manifesto 74:

O golpe está consumado. UE, EUA, FMI e NATO podem começar a armar a sua oligarquia e impedir que povo ucraniano saia da crise para o lado certo. Está em marcha a nova ordem: Svoboda. É assim que recomeça o fascismo, quando o capitalismo em falência se organiza para endurecer a repressão e a exploração. [link]
As próprias siglas no início da citação é uma consequência de o grande capital já estar organizado, mas... O sublinhado é meu. Fica o apontamento e as reticências para reflexão.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

De boas intenções estão Ucrânia e Portugal cheios

Nem um indivíduo age sempre de acordo com os seus interesses e necessidades. Nem um grupo o faz.

As necessidades objectivas das pessoas podem ser sentidas por elas, mas a sua forma para as satisfazer incompreendidas e agirem sob uma ilusão.

Por isso, cuidado quando se ouve alguém manifestando-se contra um governo tirano, falando em liberdade e luta popular. Gosto muito de o ouvir, mas quem o faz pode, mesmo com boas intenções, estar a promover um efeito contrário ao que necessita e lhe interessa. Inclusivamente, a fazer parte da ascensão do fascismo. É o que se sucede na Ucrânia. Foi o que assisti há momentos, através dum vídeo de uma manifestante ucraniana partilhado no facebook por uma amiga bem-intencionada.

No enorme grau de desinformação mediática existente acrescido da generalizada falta de cultura, não é de estranhar que se faça interpretações políticas erradas, nem acções cívicas desastrosas ao bem-estar da maioria de nós. Ninguém está a salvo. Nem na Ucrânia nem em Portugal.

O governo PSD/CDS de Coelho e Portas e companhia foi eleito por sufrágio universal. A maioria votou neles e deu um tiro nos pés. É só um exemplo.

É preciso agir. Entre os fascistas ucranianos e os partidos que sustentam o tirânico governo português existem pontos em comum. Além das afinidades ideológicas, um desses pontos é quem os financia: o grande capital.


Ler mais:
- A Ucrânia e o renascimento do fascismo na Europa, por Eric Draitser;
- O Boxeur-electrão e outras peças, por José Goulão.


segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Isto é o/um fim

Isto é o/um fim. Este post posso dizer que perfaz uma trilogia com os anteriores «Da Peste à Centelha» e «Com que intuito criaste o Três Parágrafos?». Como o blog ganhou naturalmente conteúdo temático além do primeiro intuito com que foi gerado - assunto aflorado no post anterior - e ficou agora reduzido principalmente a conteúdos políticos, de cinema e livros, entre outros, mas de momento não existe motivação para tais escritos.

Este blog foi muitas vezes também extensão da minha participação em redes sociais como o Twitter e o facebook. Ele complementava a minha acção com essas redes. Acontece que, acrescido à falta de motivação pela sua actualização, irei por tempo indeterminado desactivar a minha conta do facebook.

Um fim não implica que não haja mais nada depois, sendo somente uma transição para algo diferente. O mais espectável é que o meu regresso à escrita nos conteúdos coerentes com o Três Parágrafos volte a acontecer, restando saber se escreverei com frequência aqui ou noutro que então criarei. Este fim não me impede também de esporadicamente publicar algo.

Podem-me ir seguindo por aqui:
- Leitura Capital, blog sobre as leituras feitas a livros de filosofia e não só;
- Da Peste à Centelha, cuja apresentação foi feita nesta trilogia de posts.

Obrigado a todos que por aqui passaram.

Começaste o Três Parágrafos com que intuito?

A 21 de Dezembro de 2011 criei este blog e escrevi na altura:
Não sei o porquê deste blogue. Imagino que isso seja algo só possível de responder no campo da Psicanálise, portanto azar o meu. Mas se Tom Waits canta que the night does funny things inside a man, neste caso o tédio fez o mesmo e está criado o Três Parágrafos.
Os motivos de tal criação naquela noite foram mais tarde aflorados num ou outro post, mas nunca como há dias me saiu a resposta de forma tão incisiva. Perguntaram-me a altas horas da noite "começaste o Três Parágrafos com que intuito?". Respondi com a sinceridade que muitas vezes só o sono permite que o criará num "impulso madrugador de quem se está a decidir entre o suicídio a curto/médio prazo ou não".

O prazer de escrever e o pleno exercício desse acto foi-me proporcionando as respostas. Tal está sintetizado melhor que em qualquer ponto do blog na série "Sometimes there's so much beauty in the world...", cujo título foi retirado do filme American Beauty. Não percebi ainda se está ou não no momento de descontinuar este blog.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Nelson Mandela sobre Cuba

“Os cubanos vieram a nossa região como doutores, professores, soldados, especialistas agrícolas, mas nunca como colonizadores. Compartilharam as mesmas trincheiras de luta contra o colonialismo, o subdesenvolvimento e o Apartheid... Jamais esqueceremos esse incomparável exemplo de desinteressado internacionalismo”

Nelson Mandela

domingo, 15 de dezembro de 2013

Da Peste à Centelha

Não tenho publicado com a frequência que desejaria. Há uma certa falta de motivação para o fazer. Não vou revelar o motivo, não é importante dizê-lo, apenas interessa notar que, curiosamente, a principal razão para a falta de motivação é a mesma que me impulsionou para a criação do blog. Portanto, o que me sempre tirou energia para escrever e publicar mais é o mesmo que me faz escrever, salvo excepções, naturalmente. É uma contradição, eu sei.
 
É este conflito, que ora me leva a publicar ou não, que cuja síntese resulta na série do blog dedicado à Beleza - "Sometimes there's so much beauty in the world..." - onde recolhi preciosos objectos que contemplei de maneira especial e me ajudou a concluir de que apesar de tudo vale a pena. Refiro-me a quê? Não vou revelar, não é importante dizê-lo, apenas interessa notar que um morto não contempla tais coisas.

Com um amigo criei recentemente um novo blog. Chama-se Da Peste à Centelha. É lá que surgirá as divagações e delírios mentais que passarei a texto sobre tudo o que possa relacionar-se com o absurdo da vida e o seu sentido e... Na verdade, não sabemos ao certo qual o tema central do blog, contudo, a Peste é referência a Camus e a Centelha é a Outubro. Considerem-se convidados a visitarem e a participarem. Aqui:

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Preparam-se mais umas rendas agora através dos CTT?

Surpreendidos? Mas já não conheciam os outros milhentos casos de rendas que o público oferece aos grandes privados?

Sem consciência da existência da Luta de Classes [sociais] é muito difícil compreender a sociedade. Sem consciência de classe [social] é complicado saber o que fazer e agir assertivamente.

Mas numa frase é mais ou menos isto:
O governo é a entidade pela qual a classe predominante coloca todo o Estado a funcionar em sua prol.

Se eu estou errado, avisa-me, comenta abaixo.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

O Apaixonado [conto]


Tenho uma perna maior que a outra. Ou o chão é inclinado. Não sei. O tamanho da perna sei que não será exactamente igual à outra, mas será isso que me desequilibra para um lado? Talvez a ligeira vertigem lateral se deva a isso. No entanto estou de tronco inclinado para a frente, observo o chão de cima, olho os meus pés, e um estará mais abaixo e outro mais acima. O pé abaixo está mais abaixo em relação ao mais acima, o de cima está mais acima do que o que está mais abaixo. Assim parece. Excepto se for o chão que se inclina e, em vez de um desalinho, há antes um alinhar de alturas em relação a um referencial que não vislumbro. Isto de precisar de uma referência comparativa é limitador a uma análise. Em referência contra o chão escolheria um objecto recto, e contra os pés escolheria algo não recto. Talvez um pato, sem bico. Mas estará o chão torto? Terei os pés em bico? Ou será antes inclinado o referencial que nem vislumbrei ainda? Certo é que algo não está direito. E daí, não sei. Saberá alguém se é do chão, dos pés, das pernas, ou de outra existência mais? Será da coluna? Não sei se a tenho devidamente alinhada! Na minha idade, penso que não a terei. Mas estará a coluna dessa outra pessoa direita? Qualquer das causas pode ser a explicação para o desalinho vertiginoso enquanto olho o chão. Sinto. Um pé maior que o outro não desalinharia o chão. Qual seria a causa? Teria um deles podido desenvolver-se mais por desalinho do sapateiro tal como certos peixes que crescem proporcionalmente ao tamanho do aquário? É certo que não sei. E daí, talvez nem isso seja garantido. Ponho fora de possibilidade eu ter ao fundo das pernas dois peixes. Entenda-se: um ao fundo de cada perna. Não, eu não posso ter dois peixes em vez de pés, isso é certo, senão, à noite não conseguiria dormir. O cheiro a peixe enjoa-me. Virá daí a náusea que me revira o balanço? Olho o chão, olho melhor, e nada concluo. Danço! Não, estou parado. Incerto se danço ou se permaneço de pernas e tronco hirtos perfazendo um ângulo de noventa graus. Talvez sejam duzentos e setenta os graus. Não estou certo. Que terá entortado a coluna? A mochila da escola? Era pesada. Se calhar nem era. Mudava periodicamente de ombro para as torções na espinha se equilibrarem ao final do ano lectivo. Mas não estou certo de ter distribuído justamente o peso. E agora que o sinto, lembro que tenho um testículo maior que o outro. É o direito. A mochila terá sido repartida pelos ombros tendo em conta a relação entre testículos? Não, não foi. Nem me lembro se foi. E agora não sei qual dos testículos é o maior. É o esquerdo. Não sei. Confirmaria com a devida apalpação, mas desequilibrar-me-ia. Não é que eu saiba onde tenho as mãos, mas sei que me revelaria ao chão. Ao menos se rebolasse ficaria a saber que ele é inclinado. Mas, pensando bem, nada mais tomaria conhecimento quanto aos meus pés, pernas, coluna, ou, já não me lembro das outras possíveis variáveis às vertigens. Lembrei! Lembrei! Era os pés, as pernas e a coluna. Lembrei! Contudo, estou certo que ando esquecido. Caro leitor, ajude-me, qual era o ponto de partida de tudo isto? Não se lembra?! Recordo-lhe então que foi, salvo erro, eu não conseguir dormir com peixes nos pés. Se é que não sonhei com isto. Não sei. De erros ninguém está a salvo. Certo é que tenho um testículo maior que o outro em relação a um referencial que não vislumbro. Mas com o chão inclinado como está, nada conseguirei vislumbrar. Um pé maior que uma sapateira, acho que falei em sapateira. Ou terá sido antes em sapateiro? Com isto tudo perdi-me da minha namorada. Tenho namorada? Será aquela ali? É ela! Não sei. Se calhar preciso dela como de uma bengala. Não tenho pernas, penso. Isso explica muita coisa. Onde está a minha namorada quando preciso dela? Preciso, se ela for direita. Se for torta não será um bom referencial. Ou então não o é se for direita. É importante um referencial para o próprio referencial. Ou bastará fixar um qualquer? Acho que tenho um pé maior que o outro. E daí, não sei. Mas preciso dela, da minha namorada. Se é que tenho uma. Quero-a, mesmo que não tenha nenhuma. Preciso dela. Serei viúvo? Se calhar a viúva é ela. Mas preciso da minha enamorada. Usá-la-ei como calço.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Reunião de Amigos

A minha agenda de contactos.
Há dias pensei reunir um conjunto pequeno de amigos mais chegados. O objectivo era chamarmo-nos nomes feios. Peguei na agenda e listei pouco mais de dez nomes. Mas cancelei a ideia de os reunir perante uma certa desolação quanto ao que me deparei.

Ontem assistia a uma entrevista a Carlos do Carmo quando ele deu uma imagem que serve, de certa forma, como analogia para essa a minha desolação; sendo certo que a distância entre o meu caso e o dele é grande, talvez ao equivalente de mais de 40 anos de idade que nos difere. No final da entrevista ele disse, sobre os amigos, algo como isto: "Sabe, eu olho para a minha agenda e o que vejo é um cemitério. A minha agenda é um cemitério!".

Nenhum dos amigos que listei está literalmente morto, mas vários estavam impedidos de comparecer numa reunião por motivos graves - relacionados indirectamente com a precarização das condições de vida. Um dos motivos é a emigração. Para desanuviar passarei a dizer que a minha agenda é uma agência de viagens.