sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Manipulação Mediática: Extraordinário e/ou Ordinário

A manipulação mediática é quase omnipresente. A "verdade" propagada é absorvida como verdade, inclusivamente pelos que se dizem cépticos. Não basta ser céptico perante o que se vê e ouve, é preciso aprender a desmanipular a manipulação. Além disso, é ainda preciso procurar as outras versões da história e cruzar informações.

Há pessoas que não aprofundaram ainda este assunto. Estranhando elas o grau e os mecanismos da manipulação existente, frequentemente, subjugam-na a uma suposta «teoria de conspiração» ou à «mania da perseguição» de quem sabe e ousa dizer a verdade. A ignorância é atrevida! Este atrevimento apazigua-lhes o espírito perante desconcertante dimensão da censura e manipulação.

Foi o que me aconteceu ontem. Perante uma referência de como é grosseira a forma como o PCP e quase toda a luta popular é afastada das notícias, manipulada e a mensagem corrompida - havendo excepções momentâneas -, responderam-me que os comunistas tinham a mania da perseguição. Pois! Para ele a dimensão da censura e manipulação é ainda um acontecimento extraordinário, enquanto para mim, que já maturei o assunto, tornou-se um acontecimento ordinário.

Esta menorização do desconhecido a «teoria da conspiração» ou a «mania da perseguição» costuma ser uma tremenda falta de educação de quem o faz, numa forma eficaz de proteger o seu ego da própria ignorância. Ontem não foi o caso, simplesmente porque foi dito por alguém que tem coragem suficiente para se desafiar, aprender, e assim transformar o que no seu espírito é ainda extraordinário em ordinário.

Mais leituras:
- Goebbels ao pé disto é um amador, neste blog;
- A formação da mentalidade submissa, por Vicente Romano.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Kiev, Ucrânia, Europa, Fevereiro de 2014...


24 de Fevereiro de 2014
Início do Século XXI
Neste blog criou-se uma etiqueta chamada «Rumo ao Fascismo!». Ela não é, obviamente, um apelo a tal configuração política, antes pelo contrário, é um aviso, um alerta que a besta está viva.

Ligo a TV e não oiço revelarem a natureza política dos manifestantes mais activos nos últimos dias em Kiev. Então por que não o dizem? Eles são abertamente fascistas. O apoio por parte dos EUA e UE que recebem, promovendo que a Ucrânia se alie à União Europeia ao invés da Rússia, pôs um termo curioso na baila: euro-fascismo.

Não me interessa dissertar sobre o assunto por agora, mas a União Europeia é predominantemente de cariz fascista. É assim que a vejo. Logo o termo euro-fascismo parece-me muito ajustado.

Lembram-se da referência deste blog ao filme Novecento? Cada vez mais importante revê-lo. Sobretudo por este trecho que retiro do blog Manifesto 74:

O golpe está consumado. UE, EUA, FMI e NATO podem começar a armar a sua oligarquia e impedir que povo ucraniano saia da crise para o lado certo. Está em marcha a nova ordem: Svoboda. É assim que recomeça o fascismo, quando o capitalismo em falência se organiza para endurecer a repressão e a exploração. [link]
As próprias siglas no início da citação é uma consequência de o grande capital já estar organizado, mas... O sublinhado é meu. Fica o apontamento e as reticências para reflexão.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

De boas intenções estão Ucrânia e Portugal cheios

Nem um indivíduo age sempre de acordo com os seus interesses e necessidades. Nem um grupo o faz.

As necessidades objectivas das pessoas podem ser sentidas por elas, mas a sua forma para as satisfazer incompreendidas e agirem sob uma ilusão.

Por isso, cuidado quando se ouve alguém manifestando-se contra um governo tirano, falando em liberdade e luta popular. Gosto muito de o ouvir, mas quem o faz pode, mesmo com boas intenções, estar a promover um efeito contrário ao que necessita e lhe interessa. Inclusivamente, a fazer parte da ascensão do fascismo. É o que se sucede na Ucrânia. Foi o que assisti há momentos, através dum vídeo de uma manifestante ucraniana partilhado no facebook por uma amiga bem-intencionada.

No enorme grau de desinformação mediática existente acrescido da generalizada falta de cultura, não é de estranhar que se faça interpretações políticas erradas, nem acções cívicas desastrosas ao bem-estar da maioria de nós. Ninguém está a salvo. Nem na Ucrânia nem em Portugal.

O governo PSD/CDS de Coelho e Portas e companhia foi eleito por sufrágio universal. A maioria votou neles e deu um tiro nos pés. É só um exemplo.

É preciso agir. Entre os fascistas ucranianos e os partidos que sustentam o tirânico governo português existem pontos em comum. Além das afinidades ideológicas, um desses pontos é quem os financia: o grande capital.


Ler mais:
- A Ucrânia e o renascimento do fascismo na Europa, por Eric Draitser;
- O Boxeur-electrão e outras peças, por José Goulão.


segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Isto é o/um fim

Isto é o/um fim. Este post posso dizer que perfaz uma trilogia com os anteriores «Da Peste à Centelha» e «Com que intuito criaste o Três Parágrafos?». Como o blog ganhou naturalmente conteúdo temático além do primeiro intuito com que foi gerado - assunto aflorado no post anterior - e ficou agora reduzido principalmente a conteúdos políticos, de cinema e livros, entre outros, mas de momento não existe motivação para tais escritos.

Este blog foi muitas vezes também extensão da minha participação em redes sociais como o Twitter e o facebook. Ele complementava a minha acção com essas redes. Acontece que, acrescido à falta de motivação pela sua actualização, irei por tempo indeterminado desactivar a minha conta do facebook.

Um fim não implica que não haja mais nada depois, sendo somente uma transição para algo diferente. O mais espectável é que o meu regresso à escrita nos conteúdos coerentes com o Três Parágrafos volte a acontecer, restando saber se escreverei com frequência aqui ou noutro que então criarei. Este fim não me impede também de esporadicamente publicar algo.

Podem-me ir seguindo por aqui:
- Leitura Capital, blog sobre as leituras feitas a livros de filosofia e não só;
- Da Peste à Centelha, cuja apresentação foi feita nesta trilogia de posts.

Obrigado a todos que por aqui passaram.

Começaste o Três Parágrafos com que intuito?

A 21 de Dezembro de 2011 criei este blog e escrevi na altura:
Não sei o porquê deste blogue. Imagino que isso seja algo só possível de responder no campo da Psicanálise, portanto azar o meu. Mas se Tom Waits canta que the night does funny things inside a man, neste caso o tédio fez o mesmo e está criado o Três Parágrafos.
Os motivos de tal criação naquela noite foram mais tarde aflorados num ou outro post, mas nunca como há dias me saiu a resposta de forma tão incisiva. Perguntaram-me a altas horas da noite "começaste o Três Parágrafos com que intuito?". Respondi com a sinceridade que muitas vezes só o sono permite que o criará num "impulso madrugador de quem se está a decidir entre o suicídio a curto/médio prazo ou não".

O prazer de escrever e o pleno exercício desse acto foi-me proporcionando as respostas. Tal está sintetizado melhor que em qualquer ponto do blog na série "Sometimes there's so much beauty in the world...", cujo título foi retirado do filme American Beauty. Não percebi ainda se está ou não no momento de descontinuar este blog.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Nelson Mandela sobre Cuba

“Os cubanos vieram a nossa região como doutores, professores, soldados, especialistas agrícolas, mas nunca como colonizadores. Compartilharam as mesmas trincheiras de luta contra o colonialismo, o subdesenvolvimento e o Apartheid... Jamais esqueceremos esse incomparável exemplo de desinteressado internacionalismo”

Nelson Mandela

domingo, 15 de dezembro de 2013

Da Peste à Centelha

Não tenho publicado com a frequência que desejaria. Há uma certa falta de motivação para o fazer. Não vou revelar o motivo, não é importante dizê-lo, apenas interessa notar que, curiosamente, a principal razão para a falta de motivação é a mesma que me impulsionou para a criação do blog. Portanto, o que me sempre tirou energia para escrever e publicar mais é o mesmo que me faz escrever, salvo excepções, naturalmente. É uma contradição, eu sei.
 
É este conflito, que ora me leva a publicar ou não, que cuja síntese resulta na série do blog dedicado à Beleza - "Sometimes there's so much beauty in the world..." - onde recolhi preciosos objectos que contemplei de maneira especial e me ajudou a concluir de que apesar de tudo vale a pena. Refiro-me a quê? Não vou revelar, não é importante dizê-lo, apenas interessa notar que um morto não contempla tais coisas.

Com um amigo criei recentemente um novo blog. Chama-se Da Peste à Centelha. É lá que surgirá as divagações e delírios mentais que passarei a texto sobre tudo o que possa relacionar-se com o absurdo da vida e o seu sentido e... Na verdade, não sabemos ao certo qual o tema central do blog, contudo, a Peste é referência a Camus e a Centelha é a Outubro. Considerem-se convidados a visitarem e a participarem. Aqui:

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Preparam-se mais umas rendas agora através dos CTT?

Surpreendidos? Mas já não conheciam os outros milhentos casos de rendas que o público oferece aos grandes privados?

Sem consciência da existência da Luta de Classes [sociais] é muito difícil compreender a sociedade. Sem consciência de classe [social] é complicado saber o que fazer e agir assertivamente.

Mas numa frase é mais ou menos isto:
O governo é a entidade pela qual a classe predominante coloca todo o Estado a funcionar em sua prol.

Se eu estou errado, avisa-me, comenta abaixo.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

O Apaixonado [conto]


Tenho uma perna maior que a outra. Ou o chão é inclinado. Não sei. O tamanho da perna sei que não será exactamente igual à outra, mas será isso que me desequilibra para um lado? Talvez a ligeira vertigem lateral se deva a isso. No entanto estou de tronco inclinado para a frente, observo o chão de cima, olho os meus pés, e um estará mais abaixo e outro mais acima. O pé abaixo está mais abaixo em relação ao mais acima, o de cima está mais acima do que o que está mais abaixo. Assim parece. Excepto se for o chão que se inclina e, em vez de um desalinho, há antes um alinhar de alturas em relação a um referencial que não vislumbro. Isto de precisar de uma referência comparativa é limitador a uma análise. Em referência contra o chão escolheria um objecto recto, e contra os pés escolheria algo não recto. Talvez um pato, sem bico. Mas estará o chão torto? Terei os pés em bico? Ou será antes inclinado o referencial que nem vislumbrei ainda? Certo é que algo não está direito. E daí, não sei. Saberá alguém se é do chão, dos pés, das pernas, ou de outra existência mais? Será da coluna? Não sei se a tenho devidamente alinhada! Na minha idade, penso que não a terei. Mas estará a coluna dessa outra pessoa direita? Qualquer das causas pode ser a explicação para o desalinho vertiginoso enquanto olho o chão. Sinto. Um pé maior que o outro não desalinharia o chão. Qual seria a causa? Teria um deles podido desenvolver-se mais por desalinho do sapateiro tal como certos peixes que crescem proporcionalmente ao tamanho do aquário? É certo que não sei. E daí, talvez nem isso seja garantido. Ponho fora de possibilidade eu ter ao fundo das pernas dois peixes. Entenda-se: um ao fundo de cada perna. Não, eu não posso ter dois peixes em vez de pés, isso é certo, senão, à noite não conseguiria dormir. O cheiro a peixe enjoa-me. Virá daí a náusea que me revira o balanço? Olho o chão, olho melhor, e nada concluo. Danço! Não, estou parado. Incerto se danço ou se permaneço de pernas e tronco hirtos perfazendo um ângulo de noventa graus. Talvez sejam duzentos e setenta os graus. Não estou certo. Que terá entortado a coluna? A mochila da escola? Era pesada. Se calhar nem era. Mudava periodicamente de ombro para as torções na espinha se equilibrarem ao final do ano lectivo. Mas não estou certo de ter distribuído justamente o peso. E agora que o sinto, lembro que tenho um testículo maior que o outro. É o direito. A mochila terá sido repartida pelos ombros tendo em conta a relação entre testículos? Não, não foi. Nem me lembro se foi. E agora não sei qual dos testículos é o maior. É o esquerdo. Não sei. Confirmaria com a devida apalpação, mas desequilibrar-me-ia. Não é que eu saiba onde tenho as mãos, mas sei que me revelaria ao chão. Ao menos se rebolasse ficaria a saber que ele é inclinado. Mas, pensando bem, nada mais tomaria conhecimento quanto aos meus pés, pernas, coluna, ou, já não me lembro das outras possíveis variáveis às vertigens. Lembrei! Lembrei! Era os pés, as pernas e a coluna. Lembrei! Contudo, estou certo que ando esquecido. Caro leitor, ajude-me, qual era o ponto de partida de tudo isto? Não se lembra?! Recordo-lhe então que foi, salvo erro, eu não conseguir dormir com peixes nos pés. Se é que não sonhei com isto. Não sei. De erros ninguém está a salvo. Certo é que tenho um testículo maior que o outro em relação a um referencial que não vislumbro. Mas com o chão inclinado como está, nada conseguirei vislumbrar. Um pé maior que uma sapateira, acho que falei em sapateira. Ou terá sido antes em sapateiro? Com isto tudo perdi-me da minha namorada. Tenho namorada? Será aquela ali? É ela! Não sei. Se calhar preciso dela como de uma bengala. Não tenho pernas, penso. Isso explica muita coisa. Onde está a minha namorada quando preciso dela? Preciso, se ela for direita. Se for torta não será um bom referencial. Ou então não o é se for direita. É importante um referencial para o próprio referencial. Ou bastará fixar um qualquer? Acho que tenho um pé maior que o outro. E daí, não sei. Mas preciso dela, da minha namorada. Se é que tenho uma. Quero-a, mesmo que não tenha nenhuma. Preciso dela. Serei viúvo? Se calhar a viúva é ela. Mas preciso da minha enamorada. Usá-la-ei como calço.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Reunião de Amigos

A minha agenda de contactos.
Há dias pensei reunir um conjunto pequeno de amigos mais chegados. O objectivo era chamarmo-nos nomes feios. Peguei na agenda e listei pouco mais de dez nomes. Mas cancelei a ideia de os reunir perante uma certa desolação quanto ao que me deparei.

Ontem assistia a uma entrevista a Carlos do Carmo quando ele deu uma imagem que serve, de certa forma, como analogia para essa a minha desolação; sendo certo que a distância entre o meu caso e o dele é grande, talvez ao equivalente de mais de 40 anos de idade que nos difere. No final da entrevista ele disse, sobre os amigos, algo como isto: "Sabe, eu olho para a minha agenda e o que vejo é um cemitério. A minha agenda é um cemitério!".

Nenhum dos amigos que listei está literalmente morto, mas vários estavam impedidos de comparecer numa reunião por motivos graves - relacionados indirectamente com a precarização das condições de vida. Um dos motivos é a emigração. Para desanuviar passarei a dizer que a minha agenda é uma agência de viagens.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Carta Aberta a Um Jovem, de André Maurous

Leio «Carta Aberta a Um Jovem» de André Maurois, livro que me custou um euro, e ainda bem que não dei mais por ele. É que não sei se vale mais que isso ou se sou um grande forreta.

Fora de brincadeiras: o livro tem temáticas interessantes, André escreve para um jovem que pressupõe ter cerca de 20 anos, oferece conselhos e dá os seus pontos de vista sobre uma vasta quantidade de temas. Mas, o autor tem um pecado capital: ele é profundamente idealista. 
Temos os meios físicos bastantes para destruir a civilização e a espécie; não temos os meios morais suficientes para para nos opormos a essa destruição. 
Toda a concepção do mundo e de como devemos proceder é por parte de André Maurois construído a partir da moral, ou, por outras palavras, se o mundo está mal é por causa da falta de elevação ética e moral dos políticos e restantes cidadãos. Referências nesse sentido são constantes, mas para este post apenas trouxe duas.
A verdade é que são sobretudo as palavras - e os orgulhos exacerbados - que nos dividem. «Os interesses transigem sempre, as paixões nunca».
Esta última citação sintetiza e deixa a nú o cariz idealista do autor. Tudo é (sobretudo) consequência do espírito humano fraco. Raramente algo é explicado pelo escritor como resultado das condições existentes no meio que descreve. Ele nunca explica as causas do desemprego, por exemplo, limita-se a apelos de que é um mal que deve ser combatido e lamenta-se, igualmente, que a «a civilização da opulência» não resolveu o problema da pobreza, nem sequer nos países desenvolvidos.

Estranho que André Maurois desconheça as causas do desemprego e da pobreza, mas parece que realmente as desconhece, restando-lhe lamentar tamanhos males sociais e pretender passar o valor da luta pela suas resoluções aos jovens que o lêem. O curioso é que tal ignorância ocorre no meio de uma constante verborreia de citações dos grandes escritores e pensadores da História. Como é possível ser-se um intelectual - eleito para a Academia Francesa, inclusive - e ainda assim ter uma concepção do mundo tão superficial? Não quero acreditar que o motivo estivesse em alguma complacência perante o jovem anónimo a que se dirige na carta, ou padecesse de algum tipo de senilidade, selectiva ou não, que o impedisse escrever sobre o mundo de uma forma (quase) materialista. Não vejo que possa ser desculpa o facto de o livro ser do final da década de 60 e o autor ter na altura 80 anos, isso são factores que deviam ajuda-lo a interpretar a sociedade de forma menos ingénua.

Digo eu que não basta ser-se de bom carácter, de moral e ética bem-intencionada, bom cristão, enfim, chame-lhes o leitor o que quiser, para se conseguir construir um mundo mais justo e asseado. É preciso compreender o mundo nas suas leis, o seu movimento e causas, à raiz, para então ser possível transforma-lo.

O livro peca desde o início por mistificar as causas de grandes males da sociedade. Partilha os mesmos pecados que um livrinho que li há tempos chamado «Indignai-vos» de Stéphane Hessel - ainda escreverei sobre ele -, contudo este último sempre divulgava um conjunto importante de injustiças. Carta Aberta a Um Jovem tem ainda uma vasta quantidade de assuntos interessantemente desenvolvidos pelo autor, e tem sido apesar de tudo uma leitura agradável.

domingo, 27 de outubro de 2013

Se tiver mais de três acordes, é Jazz.

Admiro-o dos Velvet Undergound. A frase que tenho no sub-título do blog é uma citação corrompida dele. "Se tiver mais de três acordes, é Jazz". Hoje Lou Reed voltou à tónica, a casa.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Distribuição da Riqueza Produzida

Capa DN 16-10-2013
Deixo aqui apenas dois pontos dignos de registo para esta rubrica do blog

1 - Esta capa publicada ontem no DN com referencia à distribuição da "austeridade" para o Orçamento de Estado que se anunciou: 82% são cortes na função pública, reformados, Educação e Saúde; e 4% para a banca, petrolíferas e redes de energia.

2 - E esta citação que roubo a este excelente artigo de Miguel Tiago sobre um país "imaginário":

Imagina um país onde mais de 60% da riqueza produzida num ano é distribuída como rendimento de capital e menos de 40% é distribuída como rendimento de trabalho. Imagina um país em que a receita fiscal sobre rendimentos incide em 73% sobre os rendimentos do trabalho e 27% sobre os de capital.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Xadrez, CGTP e Experiência.

Houve uma fase da minha vida que quase todas as noites jogava xadrez. Teria eu uns 13 anos e jogava com gente muito mais velha e experiente. Muito aprendi no que directamente e indirectamente se relacionava com o jogo, por exemplo, que estava primeiro a defesa e só depois o ataque. É certo que ambos estão dialecticamente interligados, no futebol costuma até dizer-se que a melhor defesa é o ataque, contudo, a experiência no xadrez fez-me compreender as seguintes palavras:
«Desde tempos antigos, 
O Guerreiro experiente
Primeiro garante 

A sua própria 
Invulnerabilidade; 
Depois espera pela
Vulnerabilidade

do inimigo».
Claro que era muito miúdo e nunca tinha sequer ouvido falar de Sun Tzu, menos ainda seria capaz de intelectualizar por palavras o que o jogo me ensinara, mas a experiência ensinou-me este saber que guardo e vos falo.

Quando soube que a CGTP cancelou a marcha a pé pela Ponte 25 de Abril, não queria acreditar que teriam cedido às ameaças do governo. Afinal, ele não podia proibir a manifestação, visto que o governo não está acima da Lei. Mas este texto ajudou-me a clarificar as ideias sobre o assunto, que era algo que andava a pensar há já uns dias quanto a esta marcha na ponte, e, foi assim, que recordei este saber que aprendi há muitos anos atrás, e antes, há muitos séculos atrás Sun Tzu disse-o.

Seja o que cada um de nós pense sobre a posição da Intersindical a verdade é que, tal como escrevi no post anterior, no dia 19, sábado, é muito importante agirmos ao participarmos na manifestação.

sábado, 12 de outubro de 2013

Empreendedorismo de novo tipo: Pró-Actividade e Organização.

Organogramas Funcionais
São dois pontos comuns na linguagem dominante que anda à volta do chamado empreendedorismo: acção e organização. Se é preciso agir, não ficar parado à espera, ser pró-activo, etc e tal, é repetido à exaustão, também a organização é um factor importante, tanto individualmente, por exemplo, na gestão do tempo, como numa equipa.

Curiosamente, é muito comum que os mesmos que reconhecem a importância da acção e da organização, quando o assunto é política e acção de massas, eles já não têm uma postura de pró-actividade, antes pelo contrário, são conformistas e inactivos, e, frequentemente, optam também por depreciarem a necessidade das massas terem de se organizar politicamente para verem os seus objectivos alcançados.

Agir organizadamente é uma necessidade, e é tanto maior quanto for a grandeza e complexidade da obra a construir. Não há argumentos que refutem isto, a prática confirma-nos diariamente. No dia 19, sábado, é muito importante agirmos ao participar na marcha da organização dos trabalhadores com o nome CGTP. Objectivo: aproveitar o know-how da intersindical para empreender um futuro melhor.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Maior produtividade, igual a menos tempo de trabalho e mais emprego?

 Este gráfico desencadeou dois comentários que registo mais abaixo:
Ver artigo aqui
Ora, a análise de um amigo a estes resultados é curiosa, apesar de ser o pensamento dominante, sobretudo nos média. Ele sucintamente diz que: 

"Maior produtividade" ⇒ "melhor economia" ⇒ "menos desemprego" ⇒ "mais direitos para os trabalhadores" ⇒ "menos horas de trabalho".

Gostava de entrar em diálogo com ele para aprofundar o seu raciocínio e ser antitese à sua tese.

Penso que este meu amigo não está a ver bem a coisa, e temo que ela seja antes assim:

Se há condições sociais e tecnicas para se produzir algo por menos horas de trabalho, então há condições para todos trabalharmos menos tempo e termos mais tempo livre. Mas é isso que acontece na realidade? Não. Devido às relações sociais existentes, em que os possidentes do capital detêm mais poder do que os trabalhadores, esse tempo livre é transformado em desemprego. Não o fazem por maldade, mas por interesse: os capitalistas têm a necessidade de baixar salários para contrariar a tendência para zero das taxas de lucro. [1]

O desemprego, por sua vez, força os salários a baixar. Como o faz? A força de trabalho é uma mercadoria, e sendo certo que é especial por ter como invólucro seres humanos, não há "boa moral" que detenha a lei da procura e da oferta. Quanto mais a oferta de força de trabalho excede a procura, maior é a tendência para o seu preço baixar.

Surge uma contradição: ao mesmo tempo que baixam salários, os capitalistas precisam que os trabalhadores tenham poder de compra. Ora, só à luz da dialéctica isso é fácil de se compreender, trata-se de uma das contradições centrais do sistema social em que vivemos: o capitalismo. [2]

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Saias Lápis, a nova tendência de Inverno?

Na SIC estiveram há pouco a falar durante mais de 30 minutos sobre as "tendências deste Inverno". Não mostraram o que as pessoas andam nestes primeiros dias de chuva e frio a vestir-se, nem compararam as escolhas das indumentárias relativamente a outros anos, isso sim, teria interesse e seria merecedor de estudo e tempo de antena, mas, ao invés disso, o contrário se passou, e trataram de nos explicar e sugerir a roupa que devemos escolher de acordo com o que está já previamente estabelecido (por quem?!) para a "nova" estação. Há sempre uma nova "tendência"!!

O conformismo ou a real necessidade de renovar o guarda-fatos fará o resto. Ciclos de moda surgem periodicamente, e não surgem ao ritmo das necessidades das pessoas, mas da indústria. A mudança na forma de vestir é algo induzido pelas revistas, televisões e, inclusivamente, por restrições na oferta por parte das grandes lojas de roupa. Tirando um professor meu que usa a mesma roupa desde a década de oitenta, dificilmente escapamos a esses ciclos no estilo que vestimos.

"Saias lápis vão ser uma tendência fortíssima este Inverno" disse a TV. Resta repetir mais vezes. Se assim for, então, as saias lápis serão um elemento constituinte da ideológica predominante neste Inverno. Afinal, a forma de vestir é também uma causa e um reflexo da nossa maneira de pensar.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

A minha Aplicação para Android das Quintas-feiras.

O deslumbramento por brinquedos tecnológicos alheada a uma mentalidade consumista (mal controlada) de possuir algo, de que não se necessita verdadeiramente, fez com que houvesse um telemóvel a mais. Ofereceram-me então o que sobrou e ganhei um smartphone. Pensei Porreiro, pá! Finalmente poderei ser feliz!

Epicuro explorou as ilusões sobre as verdadeiras necessidades para a felicidade. Comigo, contudo, dei agora na prática, mais uma vez, razão a Marx quanto à evolução das necessidades. Por exemplo, hoje em dia é uma necessidade ter um frigorífico e não mais um luxo; as necessidades evoluem dependendo das condições da época e restante contexto em que a pessoa está inserida. Ora, para mim, ganhei uma nova necessidade (que não tinha), que é ter todas as quintas-feiras esta aplicação para Android no meu "novo" smartphone por perto:

(clicar na imagem para ver a aplicação no Google Play)

O programa está excelente. Leve. Muito bem organizado e simples de usar. Vale 5 estrelas, mas peca ainda, e apenas, por não se poder mudar o tamanho da letra e faltar acrescentar um método que facilite a busca de edições anteriores. Funções que espero que numa próxima versão seja adicionado. Vale a pena, experimentem, pois mostra realidades que os outros jornais escondem. Penso Agora sim, já poderão ser felizes!

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Pela Estrada Fora com Dexter Gordon e Wardell Gray



Primeiro trecho onde surge referência a esta música e álbum no livro de Jack Kerouac:
Dean conduzira quase a cento e cinquenta à hora; agora era obrigado a não ultrpassar os centro e dez, caso contrário o veículo inteiro iria voar silvando pla encosta abaixo. Atravessaram as imponentes Smoky Mountains em pleno Inverno. Quando chegaram à porta de casa do meu irmão, há trinta horas que não comiam nada, tirando umas goluseimas e bolachas de queijo.

Comeram vorazmente enquanto Dean de pé, de sanduíche na mão, se inclinava e saltava em frente do grande fonógrafo a escutar um disco de bop arrebatador, que eu acabara de comprar, chamado The Hunter, com Dexter Gordon e Wardell Gray a tocar com toda a garra perante um público estridente que dava uma sonoridade frenética bestial à gravação. Os parentes do Sul entreolhavam-se e abanavam as cabeças de espanto.

- Que tipo de amigos é que o Sal tem? - perguntaram eles ao meu irmão.

Ele ficou sem saber o que responder. As pessoas do Sul não gostam nem um bocadinho de devarios, pelo menos do tipo de Dean dava mostras. Ele ignorou-os por completo. A loucura de Dean tinha desabrochado numa estranha flor. Só me apercebi disto quando eu, a Marylou e o Dunkel saímos de casa para dar uma breve volta no Hudson, na altura em que ficámos sós pela primeira vez e pudemos conversar sobre tudo o que nos apetecia. Dean agarrou no volante, engrenou a segunda, reflectiu um instante, em andamento, subitamente pareceu ter tomado uma decisão qualquer e meteu prego a fundo com impetuosa determinação, lançando-se pela estrada fora.
Se a saúde deixar, espero voltar a manter o blog actualizado... e talvez recupere a intuição do tempo. Se alguém tiver este álbum, o The Hunt, que diga coisas: eu quero-o. Fiquem com mais uma faixa, Até breve.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Cabe a cada um de nós escolher de que lado está


Quem, apesar de tudo o que se passa, ainda não percebeu, ou não quer perceber, que a nossa sociedade distingue-se das anteriores por se dividir em duas classes sociais em confronto por satisfazer as suas antagónicas necessidades, terá dificuldade em perceber o que significa este "nós" e "eles" na citação acima.

Nós necessitamos de saúde, educação, trabalho e habitação. Eles necessitam da propriedade privada (dos meios de produção) para gerar o ainda «deus todo poderoso» lucro. Note que só alienando a possibilidade de acesso a estes direitos humanos no Serviço Nacional de Saúde é que se abre lugar à sua comercialização e negócio dos privados.

É a luta de classes: pode nem sempre parecer mas ela está sempre a ocorrer.

Tudo é de alguma forma consequência desta relação de forças entre Nós e Eles, e naturalmente, o parlamento é um reflexo disso. Não nos basta ter a razão, é preciso ter os meios para a difundir, mas os média dos grandes grupos económicos são esmagadoramente predominantes. A mentira e a sua massificação é a via deles para manter o status quo e respectiva distribuição parlamentar. [vídeo 1 e 2]

Cabe a cada um de nós saber a sua posição na sociedade e escolher de que lado está. Não há aqui lugar à neutralidade.